terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Feliz Natal

Só para desejar um bom 2014 à malta que por aqui passa!

Do lado do migrant_script 2014 promete ser um ano sem grandes projectos, mas temos as duas pequenas para que 2014 seja um ano bem interessante !


Passem por cá. 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Bife


Porque há momentos que têm que ser comemorados com uma refeição a condizer.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Que é que é isso ó Bial?

Já há bastantes posts atrás que falei no primeiro medicamento 100% português, o Zebinix.

Ontem estava a ver a reportagem na RTP sobre este mesmo medicamento e sua entrada no mercado dos EUA quando até me engasguei a ver esta imagem:
Meu amigos, isto não é uma proveta e um balão de Erlenmeyer, é uma proveta e um caco!

Onde é que está a segurança no trabalho? Onde está o brio para uma reportagem televisiva?

PS1: Lembro-me da visita de estudo que fiz à Bial durante a minha licenciatura e recordo-me de ter ficado deveras impressionado com o seu profissionalismo.

PS2: Que diria o Walter White sobre isto?


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Ana's Crafts

Ontem ao tentar ganhar "espaço" na memória do meu telemóvel reparei que não dei a conhecer neste blog um verdadeiro talento da minha patroa: O Croché.

Ora aqui ficam algumas das fotos que encontrei no meu telemóvel de alguns trabalhos que a Ana fez durante a gravidez:

 ( A Popota )
(Para a amiguinha Júlia)

 (estas ovelhas até foram "crochetadas" no hospital)


 (O Tobias)
( As mantinhas no dia em que as nossas garotas chegaram a casa )


Eu que sou um leigo na matéria, acho fascinante! 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Mudança da hora

Aconteceu este fim de semana, algo que já estamos habituados que aconteça duas vezes por ano.

Até há pouco tempo eu vivia na ignorância quanto a este tema, pensando que todo o mundo de uma forma ou de outra mudava a hora. Na verdade nunca tinha pensado sobre isso.
Ora bem, as nossas férias na Tailândia no ano passado coincidiram com a mudança de hora que acontece por altura da primavera (fins de Março).

Sabendo que a hora mudava e tendo um voo de regresso no dia seguinte decidi confirmar com o staff do hotel a mudança de hora.

Falar em inglês sobre este tema, ou outro qualquer tema, com staff na Tailândia é algo de bastante difícil, mesmo quando se trata de questões simples. Agora falar sobre a mudança de hora com alguém que nunca ouviu falar de tal coisa é algo de surreal. A Tailândia nunca fez mudança de hora, e compreensívelmente tal possibilidade não passa pela cabeça de um cidadão comum.

O funcionário do hotel ainda foi confirmar com um ou outro colega sobre a tal mudança de hora. Imagino que terá dito algo do género:

"Estás a ver aquele estrangeiro ali? Não te aproximes, o gajo é lunático e pode ser perigoso"

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Diz-me como te chamas dir-te-ei quando fazes anos.

 Num dia de trabalho normal passam-me bastantes receitas médicas pela mão e neles constam entre muitas outras coisas o nome e data de nascimento dos respectivos pacientes.

 A certa altura comecei a ficar atento à data de nascimento das pessoas cujos nomes representam estações do ano ou meses do ano. Sim, é exactamente isso, aqui os Ingleses adoptaram alguns desses periodos do ano como nome próprio. Assim já vi nomes como "May", "April", "June", "Summer" e "Autumn".

 Irremediavelmente sempre que me aparece uma paciente com um nome deste tipo, reparo que a sua respectiva data de nascimento encaixa no período do ano definida pelo nome próprio.
Mas um dia destes (meio de Setembro) recebi uma receita para uma recém-nascida chamada "Autumn" e cuja data de nascimento era se não me engano 23 Agosto 2013. 
Aí não deixei passar a oportunidade para brilhar e disse para o meu colega que tinha a certeza que aquele bebé tinha sido prematuro. Ele não conseguia decifrar como é que eu tinha a certeza disso só porque a bebé tinha na receita umas gotas multivitaminicas.

A entregar a receita ao pai da criança lá perguntei e confirmei que a bebé tinha sido uma seis semanas prematura. Além disso reparei que o pai da criança tinha uma tatuagem em letras bem grandes no pescoço com o nome "Autumn".

E depois disto lá ficamos na risota a brincar sobre as discussões que se devem ter gerado à volta do nome da bebé.

Deve ter sido tipo:

Antes do nascimento estimado para inicio de Outubro:
Pai: "Como vai nascer no Outono, acho Autumn um nome bonito"
Mãe: "Sim, também gosto, boa ideia, está decidido"

- - - - -
Bebé nasce a 23 Agosto, em pleno Verão
- - - - -
Mãe: "amor vamos ter de pensar noutro nome!"
Pai: "O quê???? Não vês esta mega Tatuagem que eu tenho no pescoço??? Vai ter de ficar assim na mesma!"
Mãe: " bahhh"
Pai: "bahhh"


Enfim, é mesmo altamente trabalhar em farmácia.



domingo, 13 de outubro de 2013

Lá ou cá, somos mais que as mães.

Não há nada que destrua mais uma classe profissional que o excesso de profissionais da mesma.

Em Portugal temos a nossa profissão completamente de rastos em muito graças a esse fenómeno que foi a proliferação de faculdades privadas. É só ver a quantidade de colegas que já enveredaram por caminhos muito afastados do mundo da farmácia. Uma formação de alto nível, muito específica e dispendiosa completamente desperdiçada.

No Reino Unido o cenário tem mudado a um ritmo alucinante. Há 6 anos atrás havia uma grande necessidade de farmacêuticos. Nesta altura as grandes companhias de farmácias até iam a diversos países Europeus fazer entrevistas de emprego. (foi nesta fase que a Ana conseguiu o seu emprego na Boots). Tinham estágios específicos para formação destes farmacêuticos europeus. Pouco depois deixaram de procurar activamente farmacêuticos fora do Reino Unido, mas recebiam de braços abertos farmacêuticos europeus que já no UK mostrassem interesse em ofertas de emprego. Mais recentemente deixaram de considerar farmacêuticos não Britânicos que não tivessem já experiência no Reino Unido. Este ano, praticamente todos os farmacêuticos recém qualificados Britânicos, com formação adquirida cá, continuam a procurar emprego, estando com grandes dificuldades em garantir emprego estável.

Isto resultou da abertura de um grande número de faculdades de farmácia pelo país e obviamente da continuada entrada a bom ritmo de farmacêuticos de outros países da UE. Ou seja, foram rápidos a actuar face à situação do mercado de há seis anos atrás.

Agora prevêem o seguinte cenário:

England faces surplus of 19,000 pharmacists by 2040

"Pharmacy schools in England may need to cut their student intake by as much as 15 per cent a year until 2020 to avoid creating an oversupply of pharmacists, a government-commissioned review has warned."
(notícia continua no link)

Vamos ver se vão ser tão eficazes a actuar quanto ao excesso de profissionais como quanto foram relativamente à escassez dos mesmos. Pelo menos alguém já alertou quanto à situação insustentável.

sábado, 12 de outubro de 2013

Durante 10 minutos "trabalhei em Portugal"

Eu que trabalho numa farmácia comunitária algures "na Inglaterra profunda" tive uns 10 minutos em que fui "teleportado" para Portugal.

Primeiro fiquei a conhecer um jovem da minha idade, Algarvio, que veio à farmácia mostar o seu novo bebé a uma das minhas colegas de quem é amigo. Lá estivemos na conversa. Já por cá anda há mais de quatro anitos.
Logo de seguida duas clientes habituais, Portuguesas, vieram especificamente falar comigo para algum aconselhamento de altíssima qualidade na nossa língua materna. Ainda falamos das minhas miúdas e dos filhos das respectivas.
Uns minutos depois tive ainda uma consulta para a pílula do dia seguinte com uma descendente de um Português. (Já agora grande história de vida da miúda, filha de pai açoreano, viveu até aos 16 anos nas Bermudas, depois dois anos nos EUA e agora vive no Reino Unido).
Com esta cliente não falei em Português pois à pergunta sobre se sabia falar Português respondeu-me que apenas se lembrava de poucas frases, tais como:
"Senta aqui agora" e "Ei C*ralh* onde vais", coisas que aprendeu com o pai.

Como podem ver, é uma alegria trabalhar no UK.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Pequenos prazeres da vida

Todos nós temos pequenas coisas que nos dão prazer e que nos fazem únicos.

Esta semana que passou reparei numa dessa situações. Gosto bastante de cozinhar, coisa que faço diariamente, e de forma especial gosto de cozinhar na semana que antecede a ida de férias. Praticamente só comemos comida não processada, por isso temos sempre a cozinha e frigorifico sempre atolhado de frutas e vegetais.

A situação que me dá particularmente prazer é a gestão e planeamento das refeições da semana anterior às férias de forma a deixar o frigorifico e dispensa completamente vazia de produtos perecíveis. E mesmo o preparar e congelar os últimos vegetais de forma a que o frigorífico fique mesmo vazio me dá prazer.

Sou um gajo simples eu sei.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O Blackburn Rovers

Championship (segundo divisão inglesa), época 2012-2013.

Foi mais uma época em que acompanhei o Blackburn Rovers. O bilhete para todos os jogos em casa custou 225 libras (nada mau para mais de 20 jogos!).

Como é de conhecimento geral o Rovers tinha acabado de descer da Premier League, e obviamente como qualquer equipa que desce, o Rovers foi automaticamente candidato a regressar à PL na época seguinte. Assim não acabou por acontecer, tal como aconteceu com o Bolton e o Wolves (que até desceu para o 3º escalão de futebol inglês). A verdade é que o Campionship é uma liga muitíssimo competitiva e complicada. Há muito investimento, e muito a ganhar com uma promoção para a principal liga de futebol do mundo, a Premier League. Só para terem uma ideia o Rovers pagou pelo seu avançado Jordan Rhodes 8 milhões de libras (10 milhões de euros).

A "grande cena" foi que ao longo da pré-época começaram a chagar jogadores Portugueses ao mesmo ritmo que aqui chegam enfermeiros para trabalhar nos hospitais britânicos. Iniciamos a época com SEIS jogadores portugueses:

E no inicio da época não faltaram bandeiras Portuguesas em alguns pontos das plateia! A verdade é que ao longo da época esse entusiasmo com o grupo de jogadores portugueses acabou por desaparecer. Dos que estão na foto apenas vi jogar dois, o Nuno Gomes e o Fábio Nunes (que é o único que realmente continua a fazer parte das opções da equipa para 2013-2014.)

O Nuno Gomes começou bem, mas logo após o primeiro mês acabou por ficar no banco praticamente todos os jogos até que no último jogo em casa lá conseguiu começar a titular, mas acabou por ser substituído ao intervalo. Uma coisa é certa, pareceu um gajo super porreiro das vezes que falei com ele, e mostrava grande vontade de jogar.
O Gomes até ficou com o meu número de telemóvel para marcarmos um copo, mas nunca mais me ligou. Deve ter perdido o cartão com o meu contacto e ainda hoje o deve andar a procurar por todo o lado.



Ainda relevante sobre o Blackburn Rovers 2012-2013 é o facto de que com a descida de divisão passaram a jogar na mesma divisão do Burnley FC.

Burnley é uma pequena cidade em Lancashire onde eu trabalho. Acontece que tem dos adeptos mais fanáticos da Inglaterra e a rivalidade com o Blackburn Rovers é do mais explosivo que existe. Um dos jornais ingleses fez um ranking dos clubes mais odiados no Reino Unido, e na primeira posição apareceu o Burnley FC (um clube que nem na Premier League joga!). Conta a malta com quem trabalho (de Burnley) e a malta com quem vou ao futebol em Blackburn que há muitos anos de rivalidade entre os dois clubes, com muita porrada, muito vandalismo que sempre marcou o encontro entre os dois clubes. Hoje em dia isso já foi evitado pelas forças policiais através de regras muito específicas de acesso ao estádio.
A única forma de um adepto do Burnley vir ao estádio do Blackburn é entrar num autocarro em Burnley que os deixa à boca da bancada dos visitantes em Blackburn e vice-versa. Um adepto do Blackburn que viva em Burnley e queira ver o Burnley-Blackburn não pode ir para o estádio directamente, tendo que vir a Blackburn apanhar o autocarro!!

Enfim, já desde que por aqui ando ouvia falar nesta rivalidade, mas só esta época tive oportunidade de assistir ao vivo a tal derby. A conquista da Premier League em 1995 foi o maior feito da história do Blackburn Rovers, mas logo a par, em termos de motivos de orgulho temos o facto que o Blackburn já conta com 34 anos consecutivos sem perder para o grande rival. 34 anos!!

Agora vejam lá que no primeiro derby que vou assistir, Blackburn Rovers-BurnleyFC, os visitantes marcam o 0-1 na primeira parte. O Rovers atirou-se para cima do Burnley na 2ª parte, mas os minutos foram passando e o 0-1 manteve-se até aos 90 mins! 33 anos sem perder para os grandes rivais e agora, estávamos a segundos de quebrar esse record, e da forma mais humilhante, que era perder em casa!! As emoções estavam ao rubro (não é possível descrever por escrito), mas nenhum adepto saiu mais cedo, e ao minuto 96, o capitão e jogador da casa, David Dunn, marcou o 1-1 e fez com que os 33 anos passassem a 34 anos invictos! As celebrações deste golo foram algo indiscritível! Prolongaram-se praí 20mins após o apito final.

Ainda tentei filmar qualquer coisa com o telemóvel (isto praí uns 2-3 mins depois do golo):



Foi uma época dura, na qual tivemos cinco treinadores e quase descemos de divisão!

Nova época de 2013-2014 e foi a debandada dos Portugueses de Blackburn. Parece que só fiquei eu. O jogadores saíram todos (excepto o Fábio Nunes) e até o meu colega português que se sentava ao meu lado não renovou bilhete para a próxima época.

Isto tudo para concluir que o Burnley FC vs Blackburn Rovers da época 2013-2014 é amanhã!


Bamos lá cambada!




quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Beijinhos

Viva,

Ora já aqui falei sobre um dos serviços da farmácia britânica chamado NMS - New Medicine Service.

Há uns dias atrás calhou de fazer uma destas consultas por via telefónica com uma Portuguesa. Na minha cabeça fez sentido ter toda a conversa em português, porque sabe bem quebrar a rotina e falar português e também porque senti que seria no melhor interesse do utente.
Acontece que praticamente toda a minha vida profissional (tirando seis meses de farmácia comunitária em Portugal)foi e é em inglês. Todo o dia-a-dia na farmácia, estudo, formações etc são em inglês. Como não sou apaixonado pela profissão, raramente falo do mundo da farmácia com algum colega português, e ao fim de mais de seis anos verifiquei que já começo a ficar muito perro ao falar em Português sobre as temáticas que farmácia comunitária engloba. (Seguramente que qualquer colega meu que para aqui ande há mais de cinco anos concordará).

Da mesma forma que a profissão normalmente fala inglês, o Português é praticamente apenas usado em situações pouco formais, de convívio social.

Dito isto, lá para o final da conversa telefónica:

Eu: "Então muito obrigado, e como combinado daqui a duas semanas entraremos em contacto consigo novamente. Beijinhos"

"Beijinhos!!!! WTF!!!

O meu cérebro queimou mesmo um fusível para me ter saído com esta.

PS: Acho uma falta de categoria deixar de se falar português correcto numa situação de emigração. Faço questão de continuar a lidar com a nossa língua diariamente e de a usar de forma correcta e completa.

domingo, 4 de agosto de 2013

O Porco

é um animal especial.

As minhas bebés nasceram com 1,5 - 1,7 kg e agora que completaram 6 meses pesam 6 - 7kg. Já começam a  tentar virar-se de barriga para baixo para barriga para cima e vice versa. Ainda não conseguem segurar no biberão sozinhas de forma a alimentarem-se.

O porco, um mamífero evoluído (ie não é um marsupial), e que é não muito distante do ser humano em termos evolutivos, sendo omnívoro,  nasce com 1kg e logo consegue procurar alimento e andar sem qualquer tipo de ajuda. Aos 6 meses um porco normal pesa certa de 100kg. (multiplica por 100x o seu peso em 6 meses).

Dá que pensar.

domingo, 23 de junho de 2013

Laranjas

Há coisa de uma semana tivemos visitas vindas de Portugal.

E naquelas malas cheias de bacalhau, presunto, chouriço, cerejas, azeite, folar, doce de abóbora, uns doces da sogra e muita roupa de criança vinham também laranjas. E não há palavras para descrever essas laranjas, mas vou tentar: "Cá f%"&#  &% #"#$% de marabilha".

Obviamente que a saudade e ausência muda a percepção das coisas, mas após seis anos a comer a porcaria da laranja espanhola do supermercado, estas souberam às melhores laranjas de sempre.

Mas se não acreditarem em mim, perguntem ao puto que trabalha na minha farmácia com o qual partilhei uma dessas laranjas na hora de almoço e que sobre as quais disse: "this is what dreams are made of".

E já que falamos sobre laranjas cá fica uma curiosidade com que me deparei aquando das férias que fizemos na Grécia. Junto ao sopé de uma laranjeira era possível ler numa placa o nome da árvore em grego: "Portokália" (além da palavra com o alfabeto grego). Portugal em grego é "Portogália".
Somos um país de laranjas, aliás, de boas laranjas.

domingo, 2 de junho de 2013

Tunguska

Ora aqui deixo um documentário que achei super interessante sobre o misterioso acontecimento de Tunguska em 1908.



Acho que espelha bem o que é a comunidade científica em diversos aspectos. A enorme curiosidade, a criatividade, o desenvolvimento de novas hipóteses, de novas teorias, o tentar refutar teorias estabelecidas. O uso de novos meios, novos métodos e novas tecnologias à medica que vão surgindo.

Também a busca de fama e reconhecimento por parte de alguns cientistas, mas em todos os casos uma enorme paixão pela descoberta.

Naqueles dias em que chove lá fora, em que a TV não dá nada de jeito, o facebook continua a mesma treta pode-se sempre contar com a blogosfera. É ou não é?

Abraço

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Pressupostos


Conversa na minha aldeia:


A minha avó encontra uma tia afastada e dá-lhe a notícia do nascimento das miúdas, ao que a minha tia afastada responde: "Então já vão estar boas para baptizar em Agosto"*

A minha avó responde: "Ai a mulher dele é do Porto e vão baptizar lá."**


- - - -

*Pressuposto 1 - Bebés serão baptizados. Pressuposto 2 - Emigrante vai à terra em Agosto.

** Uma mentirinha evita uma vergonha maior.

PS: Os nossos filhos (obviamente) não serão baptizados nem terão inscrição automática em outras seitas que tais, e, por muito que lhes tenha custado, já deixamos isso bem claro com a família mais próxima.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Já há muito tempo que

não gostava tanto de um álbum inteiro.




Two Door Cinema Club - Turist History

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O passar do tempo em modo emigrante

Deixo aqui um texto muito bem escrito pelo meu amigo Alexandre Rodrigues, camarada de emigração no Reino Unido.

Seguramente que qualquer um de vós que ande neste modo de vida de emigrante vai parar para reflectir na sua própria vida ao ler este texto.

Texto originalmente publicado em: "Retrospectiva - Crónica de Emigração"

"Navego à vista neste limbo inevitável em que acorda todo o emigrante um dia, quando se apercebe dos anos a passar e está, há talvez demasiado tempo, fora do país que o viu nascer e crescer. A firme consciencialização de não ter uma pátria, de não se ser de lado nenhum. Já não sou o mesmo que partiu, que disse adeus à família, que se despediu dos amigos. Essa personagem é hoje uma velha memória. O país que me acolhe vai lentamente moldando a minha consciência, e no entanto sou suficientemente estranho nele e dele para manter uma certa distância, penso que lúcida, sobre esta sociedade em que me insiro, a qual não consigo, eu próprio, acolher totalmente. Disse-me um colega de trabalho,  que já estou a ficar demasiado britânico porque não me queixei da bica queimada e fria que me serviram num dos cafés do aeroporto. Estou a ficar demasiado estoico, demasiado diplomata, demasiado calado, demasiado... britânico. No entanto bebo uma bica. Como o faria se estivesse em Portugal, depois do almoço. Uma bica. Esse pedaço imprescindível e imorredouro de todo o português que se preza. E por dentro sinto que o português em mim morre a cada dia que passa. cada vez menos português, cada vez menos ruidoso, cada vez menos refilão, cada vez menos deprimido por causa da situação económica. De cada vez que vou a Portugal, sinto-me como um turista, um visitante (sou um visitante) que se sente cada vez mais distante do passado, que vê inevitavelmente a vida dos seus familiares e amigos continuar sem ele. Sou como um morto. Quando alguém morre, sente-se saudade e tristeza, mas a vida continua, prova disso é que passados estes milhares de anos de civilização e milhares de milhões de mortos, a vida continuou, mesmo quando já nada resta desses mortos, nem o pó. Sinto-me como uma espécie de morto, que de vez em quando se levanta do seu túmulo frio e visita os familiares e amigos, em sonhos ou em visões. E quando acordam, a vida deles continua e dizem uns para os outros: sabes, esta noite sonhei com fulano. Veio-me visitar. E pronto, fica-se cheio de saudades, mas mais nada. Depois a vida encarrega-se de os distrair e o morto lá volta para o seu túmulo, lá para esse país onde vive, essa espécie de paraíso ou inferno, conforme os olhos de cada um. Para mim, é um limbo. Estou na fase do limbo. Nunca foi verdadeiramente um inferno, na minha perspetiva, também não é o paraíso que às vezes muitos emigrantes proclamam quando voltam a Portugal e se gabam das excelentes condições. E é neste limbo de distanciamento em que vivo, como se pairasse por cima de uma e de outra sociedade, que vejo com clareza ambas, o quão diferentes são e o quão parecidas também. Ou talvez seja eu que já nem as distinga. E no entanto sinto falta das pessoas que deixei para trás, imagino-as de uma determinadas maneira, talvez idealizada, são as saudades, essa espécie de estupefaciente que nos turva a realidade, que a faz mais bonita do que ela verdadeiramente é. Porque quando voltamos e estamos com os amigos e familiares, eles não são nada daquilo que as saudades nos impingiram, que nós impingimos a nós próprios. Não são a imagem ideal ou idealizada. São eles, mais velhos, mais preocupados, os filhos mais crescidos, a viver no mundo sem nós, e nós saímos do nosso outro-mundo, do túmulo, para estar com eles talvez uma ou duas horas e depois já queremos é voltar para o país de acolhimento, sete palmos debaixo de terra, ou sete mil léguas de distância, tanto faz. Aquilo diz-nos pouco, nós já lhes dizemos pouco, e estamos para ali, uma ou duas horas a olhar uns para os outros sem saber o que dizer. Acaba-se por fazer conversa de circunstância, porque as dores da Idalina, e o Tomé desempregado não nos dizem nada, assim como o repasse que tenho na janela do meu apartamento, ou o preço exorbitante que pago pela creche do meu filho não lhes diz nada. Concorda-se que a vida está difícil. E depois despedimo-nos uns dos outros e dizemos que temos pena de não poder ficar mais tempo. E eles já mortinhos que eu me vá embora e eu mortinho por me ir embora, de volta para o túmulo.


Os meus irmãos há pouco tempo fizeram quarenta e oito anos. Foi nesse dia que eu me apercebi de como o tempo passou, de há quanto tempo eu morri. De há quanto tempo estou fora, longe de tudo. Eu que me lembro deles com vinte, vinte e cinco anos. Eu que estou com trinta e sete anos e meio. Quando eles tinham vinte cinco eu era um adolescente. E isso já foi há mais de vinte anos. Bolas, quase meio século. Não consigo imaginar aqueles dois com meio século de vida. Terão sempre vinte e cinco anos. Só quando saio do túmulo e os visito em sonhos é que me apercebo o quão envelheceram, O meu irmão com os cabelos a ficarem mais grisalhos, a minha irmã a usar mais maquilhagem para disfarçar as rugas. E não, não têm quase cinquenta anos, têm vinte e cinco. E depois olho-me ao espelho e não me reconheço. Quem és tu? Para onde foi o teu cabelo, que rugas são essas a nascer na testa e debaixo dos olhos? Tinhas quinze anos da última vez que me lembro. Andavas apaixonado por uma miúda que não queria saber de ti. Tinhas amigos da tua idade com quem saías à noite. Onde estão? Que fazes aqui na minha casa? E depois a memória aviva-se por instantes, como aos velhinhos senis, que por momentos se lembram dos nomes do filhos. Sou eu, do outro lado do espelho. Com trinta e sete anos e meio. A miúda de quem eu gostava, perdi-lhe o rasto durante dezassete anos. Estava grávida do namorado quando a reencontrei numa dessas redes sociais há uns poucos anos atrás. Os amigos com quem saía há noite casaram-se, separaram-se, tiveram filhos, envelheceram. E tudo isto me parece irreal. À distância não me parece que seja verdade. Só quando o morto sai do seu túmulo frio  e por momentos assombra a vida dos amigos, dos familiares, da miúda de quem gostou, é que se apercebe que também ele envelheceu. Que os pais estão velhinhos, que são da idade dos seus avós quando ele era criança e brincava com um carrinho a pedais na rampa do quintal da casa, empurrado pelos dois irmãos adolescentes, que para ele terão para sempre vinte e cinco anos. "
©Alexandre Rodrigues 2013


O Alexandre tem um blog, o "Blog de um homem só", e lançou recentemente o seu primeiro livro, sobre o qual podem ler no seu blog.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Mangalhão +

Mangalhão +:

É a verdadeira revolução na área da saúde. Faz bem à queda de cabelo, evita o envelhecimento permitindo vida eterna e trata todo o tipo de cancro. Eficácia cientificamente comprovada, mas apesar disso não queremos nenhum profissional de saúde envolvido no aconselhamento do mesmo, daí que não se encontre à venda em farmácias nem possa ser receitado pelo seu médico.

Parece demasiado bom para ser verdade, mas é mesmo verdade ó patego.

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(A única coisa que vejo de TV Portuguesa é o noticiário da RTP online, e todos os dias tenho que levar com isto!)

domingo, 26 de maio de 2013

Our Bees

Há por aí pais que acham que os serviços de fotógrafos profissionais são muito caros (se bem que muitos merecem, pois realmente são artistas) e depois sai disto:


Alice&Olívia


quarta-feira, 22 de maio de 2013

Limpinho


Há umas semanitas atrás fizeram um trabalho limpinho ao carro da Ana. Tiraram a matricula da frente e de trás do carro dela. Nem risco fizeram, por isso não foi vandalismo gratuito.

Reportamos à polícia logo que fomos avisados pelo nosso vizinho. Até agora ainda não recebemos mais notícias sobre o sucedido, o que é bom. Uma coisa é certa, não foi com o intuito de usar matriculas falsas para evitar pagar portagens de auto-estrada.

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Já agora menciono o tema que todos esperavam após leitura do título do post. Quando pensamos que já não há mais nada de novo, que não há mais nada para conquistar, o FCP encontra forma de manter a emoção nas conquistas! Ganhar o campeonato contra o rival com golo no último minuto? Fazer o Tri em que dois dos campeonatos foram imaculados? O coração de adepto continua a vibrar, não há como não.