domingo, 17 de abril de 2011

"Agora vou ser saudável"...

Ora viva,

Aqui no UK a hora de almoço é algo que não existe. Muito particularmente no mundo da farmácia existem os 5-7 minutos de almoço, que nunca são um momento de sossego.  Por cá, toda a gente ou leva sobras de refeições anteriores feitas em casa, ou leva comidas congeladas de ir ao micro-ondas ou dão um saltinho à sandwich-shop mais próxima. Basicamente ninguém senta o rabo num restaurante para almoçar uma diária. Este é um pormenor apenas, mas espelha uma sociedade com uma atitude pró-produtividade.


Adiante. A C. (adoro esta faceta da blogosfera, de chamar as pessoas pela letra inicial) é provavelmente a técnica de farmácia com quem mais me identifico, ao ponto de termos amizade. Acontece que a C., que tem quase 40 anos e é mãe solteira de 2 filhos (17 e 19 anos) nunca cozinhou uma refeição. (A C. é uma pessoa concreta, mas a descrição feita até agora poderia ser da típica mulher inglesa de 40 anos). Tem cozinha mas nela apenas usa o micro-ondas e a chaleira! Cozinhar passa por telefonar ao take-away ou aquecer comidas pré-feitas no micro-ondas.

Ora bem, esta semana a C. decidiu que ia perder peso e ser saudável, e na cabeça de quem sempre comeu "junk food", ser saudável é comer vegetais. Assim na hora do almoço lá deu uma corrida ao supermecado para ir buscar o seu almoço saudável. Chega e diz: "I'm cooking today!"


Fiquei pasmado a vê-la cozinhar:

Uma embalagem de pão de forma integral para fazer umas sandes com os seguintes ingredientes:
Tomate
Pepino
Rabanete !
Alface
Beterraba !
Cebolinho !

Aquilo ocupou a banca da tea-room toda!

Ainda lhe perguntei se não teria um atum, ou um bacon ou fiambre, ou quicà maionese ou um sal/azeite/vinagre, mas nada!! Aposto que estava deliciosa.

Não admira que por cá os chefes de cozinha sejam idolatrados sendo mesmo figuras assíduas na televisão (mesmo em programas de entretenimento), é que saber cozinhar, ou apenas combinar alimentos é um talento raro por cá.

7 comentários:

  1. LOL
    Isso sim, é cozinhar!!! E essa sandes devia estar mesmo deliciosa ;)
    A ver se aprendes algumas dicas de culinária com essa colega, ah ah ah ah ah ah ah ah ah...

    ResponderEliminar
  2. Olá Eugénio! Espero que esteja tudo bem contigo! Realmente à pouco tempo fui visitar um hospital em Birmingham, e na altura achei muito estranho as pessoas não se preocuparem muito com o almoço. Devo dizer que o espaço/tempo que o Português confere a confeccionar os alimentos, e a produzir resultados com qualidade-sabor relevante, é um dos nossos tesourinhos. Já em relação à pro-actividade no trabalho.... temos muito a desejar!!!!
    Jorge Rodrigues

    ResponderEliminar
  3. Muito bem...eu não sobreviveria a uma existência desse tipo. que é da vida sem os tachos e as panelas??

    ResponderEliminar
  4. Larga a farmácia.

    Abre uma casa de pasto com "refeições económicas".

    Fazes massa com atum e és logo o rei.

    Não podes é fazer muitas coisas boas que esses gaijos são uns esquesitinhos.

    ResponderEliminar
  5. Este post é enorme. É a típica visão de uma português sobre os esquisitos habitante do UK. Está aqui tudo: a preguiça para cozinhar, a noção distorcida do que é uma refeição saudável, a dependência do take-away, a inaptidão numa cozinha. Uma pérola este post.

    ResponderEliminar
  6. Por mais anos que passem, é algo que nunca irei entender. Eu não sou menos produtiva só porque cozinho e insisto em almoçar convenientemente todos os dias. Até colegas meus já reconheceram que é estúpido o dinheiro que gastam em sandes compradas num M&S ou Boots, em comparação com o custo de um prato relativamente bem cozinhado na cantina da empresa. Já tentei convencer alguns, mas é uma luta! ;)
    Entretanto, sempre que levo a minha comida de casa, escusado será dizer que se ficam a babar.
    Ainda assim, noto um "esforço" maior no pessoal aqui da zona norte do que no pessoal das Midlands, onde já vivi, e que é do piorio. Basta dizer que o pequeno-almoço de muito inglês é coca-cola e batatas fritas.

    ResponderEliminar
  7. Também experienciei esta inaptidão e pouco gosto pela culinária em geral, por parte dos anglo-saxónicos. Levou-me a concluir que, neste aspecto, nós e eles somos opostos. Mas eu não trocava a minha diária e a minha hora de almoço de 90 minutos pela deles: mesmo quando não ingiro nada, há tempo para "fazer biscates" que já não se podem fazer depois das 17:00.

    ResponderEliminar