Já há bastantes posts atrás que falei no primeiro medicamento 100% português, o Zebinix.
Ontem estava a ver a reportagem na RTP sobre este mesmo medicamento e sua entrada no mercado dos EUA quando até me engasguei a ver esta imagem:
Meu amigos, isto não é uma proveta e um balão de Erlenmeyer, é uma proveta e um caco!
Onde é que está a segurança no trabalho? Onde está o brio para uma reportagem televisiva?
PS1: Lembro-me da visita de estudo que fiz à Bial durante a minha licenciatura e recordo-me de ter ficado deveras impressionado com o seu profissionalismo.
PS2: Que diria o Walter White sobre isto?
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quarta-feira, 13 de novembro de 2013
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Diz-me como te chamas dir-te-ei quando fazes anos.
Num dia de trabalho normal passam-me bastantes receitas médicas pela mão e neles constam entre muitas outras coisas o nome e data de nascimento dos respectivos pacientes.
A certa altura comecei a ficar atento à data de nascimento das pessoas cujos nomes representam estações do ano ou meses do ano. Sim, é exactamente isso, aqui os Ingleses adoptaram alguns desses periodos do ano como nome próprio. Assim já vi nomes como "May", "April", "June", "Summer" e "Autumn".
Irremediavelmente sempre que me aparece uma paciente com um nome deste tipo, reparo que a sua respectiva data de nascimento encaixa no período do ano definida pelo nome próprio.
Mas um dia destes (meio de Setembro) recebi uma receita para uma recém-nascida chamada "Autumn" e cuja data de nascimento era se não me engano 23 Agosto 2013.
Aí não deixei passar a oportunidade para brilhar e disse para o meu colega que tinha a certeza que aquele bebé tinha sido prematuro. Ele não conseguia decifrar como é que eu tinha a certeza disso só porque a bebé tinha na receita umas gotas multivitaminicas.
A entregar a receita ao pai da criança lá perguntei e confirmei que a bebé tinha sido uma seis semanas prematura. Além disso reparei que o pai da criança tinha uma tatuagem em letras bem grandes no pescoço com o nome "Autumn".
E depois disto lá ficamos na risota a brincar sobre as discussões que se devem ter gerado à volta do nome da bebé.
Deve ter sido tipo:
Antes do nascimento estimado para inicio de Outubro:
Pai: "Como vai nascer no Outono, acho Autumn um nome bonito"
Mãe: "Sim, também gosto, boa ideia, está decidido"
- - - - -
Bebé nasce a 23 Agosto, em pleno Verão
- - - - -
Mãe: "amor vamos ter de pensar noutro nome!"
Pai: "O quê???? Não vês esta mega Tatuagem que eu tenho no pescoço??? Vai ter de ficar assim na mesma!"
Mãe: " bahhh"
Pai: "bahhh"
Enfim, é mesmo altamente trabalhar em farmácia.
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domingo, 13 de outubro de 2013
Lá ou cá, somos mais que as mães.
Não há nada que destrua mais uma classe profissional que o excesso de profissionais da mesma.
Em Portugal temos a nossa profissão completamente de rastos em muito graças a esse fenómeno que foi a proliferação de faculdades privadas. É só ver a quantidade de colegas que já enveredaram por caminhos muito afastados do mundo da farmácia. Uma formação de alto nível, muito específica e dispendiosa completamente desperdiçada.
No Reino Unido o cenário tem mudado a um ritmo alucinante. Há 6 anos atrás havia uma grande necessidade de farmacêuticos. Nesta altura as grandes companhias de farmácias até iam a diversos países Europeus fazer entrevistas de emprego. (foi nesta fase que a Ana conseguiu o seu emprego na Boots). Tinham estágios específicos para formação destes farmacêuticos europeus. Pouco depois deixaram de procurar activamente farmacêuticos fora do Reino Unido, mas recebiam de braços abertos farmacêuticos europeus que já no UK mostrassem interesse em ofertas de emprego. Mais recentemente deixaram de considerar farmacêuticos não Britânicos que não tivessem já experiência no Reino Unido. Este ano, praticamente todos os farmacêuticos recém qualificados Britânicos, com formação adquirida cá, continuam a procurar emprego, estando com grandes dificuldades em garantir emprego estável.
Isto resultou da abertura de um grande número de faculdades de farmácia pelo país e obviamente da continuada entrada a bom ritmo de farmacêuticos de outros países da UE. Ou seja, foram rápidos a actuar face à situação do mercado de há seis anos atrás.
Agora prevêem o seguinte cenário:
Em Portugal temos a nossa profissão completamente de rastos em muito graças a esse fenómeno que foi a proliferação de faculdades privadas. É só ver a quantidade de colegas que já enveredaram por caminhos muito afastados do mundo da farmácia. Uma formação de alto nível, muito específica e dispendiosa completamente desperdiçada.
No Reino Unido o cenário tem mudado a um ritmo alucinante. Há 6 anos atrás havia uma grande necessidade de farmacêuticos. Nesta altura as grandes companhias de farmácias até iam a diversos países Europeus fazer entrevistas de emprego. (foi nesta fase que a Ana conseguiu o seu emprego na Boots). Tinham estágios específicos para formação destes farmacêuticos europeus. Pouco depois deixaram de procurar activamente farmacêuticos fora do Reino Unido, mas recebiam de braços abertos farmacêuticos europeus que já no UK mostrassem interesse em ofertas de emprego. Mais recentemente deixaram de considerar farmacêuticos não Britânicos que não tivessem já experiência no Reino Unido. Este ano, praticamente todos os farmacêuticos recém qualificados Britânicos, com formação adquirida cá, continuam a procurar emprego, estando com grandes dificuldades em garantir emprego estável.
Isto resultou da abertura de um grande número de faculdades de farmácia pelo país e obviamente da continuada entrada a bom ritmo de farmacêuticos de outros países da UE. Ou seja, foram rápidos a actuar face à situação do mercado de há seis anos atrás.
Agora prevêem o seguinte cenário:
England faces surplus of 19,000 pharmacists by 2040
"Pharmacy schools in England may need to cut their student intake by as much as 15 per cent a year until 2020 to avoid creating an oversupply of pharmacists, a government-commissioned review has warned."
(notícia continua no link)
Vamos ver se vão ser tão eficazes a actuar quanto ao excesso de profissionais como quanto foram relativamente à escassez dos mesmos. Pelo menos alguém já alertou quanto à situação insustentável.
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sábado, 12 de outubro de 2013
Durante 10 minutos "trabalhei em Portugal"
Eu que trabalho numa farmácia comunitária algures "na Inglaterra profunda" tive uns 10 minutos em que fui "teleportado" para Portugal.
Primeiro fiquei a conhecer um jovem da minha idade, Algarvio, que veio à farmácia mostar o seu novo bebé a uma das minhas colegas de quem é amigo. Lá estivemos na conversa. Já por cá anda há mais de quatro anitos.
Logo de seguida duas clientes habituais, Portuguesas, vieram especificamente falar comigo para algum aconselhamento de altíssima qualidade na nossa língua materna. Ainda falamos das minhas miúdas e dos filhos das respectivas.
Uns minutos depois tive ainda uma consulta para a pílula do dia seguinte com uma descendente de um Português. (Já agora grande história de vida da miúda, filha de pai açoreano, viveu até aos 16 anos nas Bermudas, depois dois anos nos EUA e agora vive no Reino Unido).
Com esta cliente não falei em Português pois à pergunta sobre se sabia falar Português respondeu-me que apenas se lembrava de poucas frases, tais como:
"Senta aqui agora" e "Ei C*ralh* onde vais", coisas que aprendeu com o pai.
Como podem ver, é uma alegria trabalhar no UK.
Primeiro fiquei a conhecer um jovem da minha idade, Algarvio, que veio à farmácia mostar o seu novo bebé a uma das minhas colegas de quem é amigo. Lá estivemos na conversa. Já por cá anda há mais de quatro anitos.
Logo de seguida duas clientes habituais, Portuguesas, vieram especificamente falar comigo para algum aconselhamento de altíssima qualidade na nossa língua materna. Ainda falamos das minhas miúdas e dos filhos das respectivas.
Uns minutos depois tive ainda uma consulta para a pílula do dia seguinte com uma descendente de um Português. (Já agora grande história de vida da miúda, filha de pai açoreano, viveu até aos 16 anos nas Bermudas, depois dois anos nos EUA e agora vive no Reino Unido).
Com esta cliente não falei em Português pois à pergunta sobre se sabia falar Português respondeu-me que apenas se lembrava de poucas frases, tais como:
"Senta aqui agora" e "Ei C*ralh* onde vais", coisas que aprendeu com o pai.
Como podem ver, é uma alegria trabalhar no UK.
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quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Beijinhos
Viva,
Ora já aqui falei sobre um dos serviços da farmácia britânica chamado NMS - New Medicine Service.
Há uns dias atrás calhou de fazer uma destas consultas por via telefónica com uma Portuguesa. Na minha cabeça fez sentido ter toda a conversa em português, porque sabe bem quebrar a rotina e falar português e também porque senti que seria no melhor interesse do utente.
Acontece que praticamente toda a minha vida profissional (tirando seis meses de farmácia comunitária em Portugal)foi e é em inglês. Todo o dia-a-dia na farmácia, estudo, formações etc são em inglês. Como não sou apaixonado pela profissão, raramente falo do mundo da farmácia com algum colega português, e ao fim de mais de seis anos verifiquei que já começo a ficar muito perro ao falar em Português sobre as temáticas que farmácia comunitária engloba. (Seguramente que qualquer colega meu que para aqui ande há mais de cinco anos concordará).
Da mesma forma que a profissão normalmente fala inglês, o Português é praticamente apenas usado em situações pouco formais, de convívio social.
Dito isto, lá para o final da conversa telefónica:
Eu: "Então muito obrigado, e como combinado daqui a duas semanas entraremos em contacto consigo novamente. Beijinhos"
"Beijinhos!!!! WTF!!!
O meu cérebro queimou mesmo um fusível para me ter saído com esta.
PS: Acho uma falta de categoria deixar de se falar português correcto numa situação de emigração. Faço questão de continuar a lidar com a nossa língua diariamente e de a usar de forma correcta e completa.
Ora já aqui falei sobre um dos serviços da farmácia britânica chamado NMS - New Medicine Service.
Há uns dias atrás calhou de fazer uma destas consultas por via telefónica com uma Portuguesa. Na minha cabeça fez sentido ter toda a conversa em português, porque sabe bem quebrar a rotina e falar português e também porque senti que seria no melhor interesse do utente.
Acontece que praticamente toda a minha vida profissional (tirando seis meses de farmácia comunitária em Portugal)foi e é em inglês. Todo o dia-a-dia na farmácia, estudo, formações etc são em inglês. Como não sou apaixonado pela profissão, raramente falo do mundo da farmácia com algum colega português, e ao fim de mais de seis anos verifiquei que já começo a ficar muito perro ao falar em Português sobre as temáticas que farmácia comunitária engloba. (Seguramente que qualquer colega meu que para aqui ande há mais de cinco anos concordará).
Da mesma forma que a profissão normalmente fala inglês, o Português é praticamente apenas usado em situações pouco formais, de convívio social.
Dito isto, lá para o final da conversa telefónica:
Eu: "Então muito obrigado, e como combinado daqui a duas semanas entraremos em contacto consigo novamente. Beijinhos"
"Beijinhos!!!! WTF!!!
O meu cérebro queimou mesmo um fusível para me ter saído com esta.
PS: Acho uma falta de categoria deixar de se falar português correcto numa situação de emigração. Faço questão de continuar a lidar com a nossa língua diariamente e de a usar de forma correcta e completa.
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quinta-feira, 14 de março de 2013
Dia a dia na farmácia britânica
Post com interesse apenas para farmacêuticos. Aviso logo no primeiro parágrafo, por isso não se queixem que é aborrecido.
De certa forma já aqui falei dos variados serviços prestados nas farmácias britânicas, e como nesta segunda-feira passada fui durante o percurso de regresso a casa a pensar nisso cá vou escrever este post. Talvez tenha pensado nisso porque nesse dia fiz um pouco de tudo.
Além do classico aviar de receitas médicas e aconselhamento farmacêutico que isso acarreta e da resposta as solicitações para aconselhamento de medicamentos não sujeitos a receita médica lidei com os seguintes serviços: (que cada vez mais são uma forma importante de financiamento da farmácia)
Medicines Use Review (MUR): É uma "consulta farmacêutica" entre o farmacêutico e o utente numa sala de consulta. O utente é elegível para o MUR se tiver recebido os últimos 3 meses de medicação para condições crónicas da farmácia em questão. Nesta consulta tento perceber se existem interacções entre os medicamentos tomados de forma regular, se são tomados na melhor altura, se existem efeitos secundários e como podem ser evitados, se existem problemas na administração dos mesmos etc etc. Sugestões mais simples são passadas directamente ao utente, sendo que situações mais sérias são encaminhadas para o médico de família. Este serviço é gratuito para o utente e a farmácia recebe 28 libras por cada consulta. (cada farmácia pode fazer um máximo de 400 MURs por ano).
Nessa segunda feira apenas fiz um MUR, mas na terça-feira completei quatro. Vão-se fazendo conforme disponibilidade de tempo por parte do farmacêutico e oferta de utentes com quem ter estas consultas.
New Medicine Service (NMS): Este é um serviço mais recente. Envolve duas consultas de seguimento farmacêutico com o utente a quem foi prescrita medicação nova, pertencente a determinadas categorias farmacoterapêuticas (de momento abrange medicamentos para o sistema respiratório e medicação para hipertensão). Primeira consulta (intervention consultation) cerca de duas semanas após inicio da terapia e segunda consulta (follow up consultation) após quatro semanas. Este serviço é gratuito para o utente e a farmácia recebe entre 20 e 28 libras por cada NMS completo. (o pagamento é complexo, dependendo do número total de NMS completos pela farmácia, daí 20 a 28 libras). Nessa segunda-feira fiz uma consulta (após duas semanas - intervention consultation) com um jovem a quem tinha sido prescrito um inalador de salbutamol pela primeira vez. Verifiquei que usava a técnica correcta de inalação, e dei uma explicação sobre em que situações usar o medicamento e o que esperar dele. Perguntei sobre a sua eficácia, efeitos secundários e opinião geral do paciente sobre o medicamento. Esclareci qualquer dúvida que me colocou.
Supervised consumption of methadone/buprenorphine: Este serviço (também existente em Portugal, mas numa escala diferente) envolve supervisionar a toma da dose de um substituto de opioides (ie heroína). Creio que cada dose supervisionada atrai um pagamento de 1,75 libras. A supervisão da toma de comprimidos (por exemplo buprenorfina sublingual) tem um pagamento ligeiramente maior pois é um processo mais moroso. Numa farmácia como a minha, são dispensadas entre 40 e 90 doses diárias (há dias da semana mais ocupados que outros) e mais de metade são supervisionadas. (além do pagamento pela supervisão do consumo da dose, ainda há um pagamento pela dispensa de cada dose). Este serviço prestei-o várias vezes nessa segunda-feira.
Morning After Pill: Pílula do dia seguinte. Farmacêuticos com formação para tal podem fornecer a pílula do dia seguinte de forma gratuita e muitas vezes em situações que ultrapassam as indicações do medicamento (por exemplo a menores de 16 anos). Este serviço envolve uma consulta entre o farmacêutico e a utente numa sala de consulta. O serviço e pílula é gratuita para a utente e a farmácia recebe cerca de 15 libras por consulta mais os custos que esta acarretar, como a pílula do dia seguinte (que nem sempre é fornecida) e testes de gravidez (que de vez em quando são utilizados em linha com a guide-line). Nesta segunda-feira apenas fiz uma destas consultas.
Chlamydia Screening: Despiste da DST Clamídia. Este serviço pode ou não ser acoplado à consulta da pílula do dia seguinte. Envolve a colheita de uma amostra de urina e o envio da mesma para análise microbiológica. O utente recebe os resultados por SMS ou carta e tratamento em caso de presença da DST. Creio que a farmácia recebe cerca de 4 libras por cada amostra enviada para análise, sendo gratuito para os utentes. Nessa segunda-feira enviei uma amostra para análise.
Smoking Cessation: Consultas de cessação tabágica. Não fiz a formação para este serviço e como o NHS não exige que seja providenciado pelo farmacêutico, na minha farmácia foi uma técnica de farmácia que adquiriu qualificações para este serviço. Este serviço envolve consultas semanais com os utentes, com aconselhamento, monitorização dos níveis de monóxido de carbono e prescrição de medicação para efeitos de cessação tabágica. As consultas são gratuitas para o utente e aos medicamentos prescritos aplicam-se as mesmas regras dos prescritos por outros prescritores (ie médicos), onde na prática quase ninguém paga, e se o fizer nunca é muito. A farmácia recebe acima de 50 libras por cada utente bem sucedido. Nessa segunda-feira a farmácia realizou 2 ou 3 consultas de cessação tabágica.
Há ainda vários outros serviços prestados pelas farmácias britânicas com os quais não lidei nesse dia.
Em suma, o dia a dia é bastante agitado e variado. Este post mostra como a farmácia de cá está menos dependente do rendimento proveniente das fontes tradicionais (dispensa de medicamentos e venda de medicamentos não sujeitos e receita médica e outros produtos de saúde). Todos os serviços acima prestados são financiados directamente pelo sistema se saúde britânico e não de forma privada pelos utentes. Esta parceria Estado/Farmácias é algo que é praticamente inexistente em Portugal, o que é de lamentar.
De certa forma já aqui falei dos variados serviços prestados nas farmácias britânicas, e como nesta segunda-feira passada fui durante o percurso de regresso a casa a pensar nisso cá vou escrever este post. Talvez tenha pensado nisso porque nesse dia fiz um pouco de tudo.
Além do classico aviar de receitas médicas e aconselhamento farmacêutico que isso acarreta e da resposta as solicitações para aconselhamento de medicamentos não sujeitos a receita médica lidei com os seguintes serviços: (que cada vez mais são uma forma importante de financiamento da farmácia)
Medicines Use Review (MUR): É uma "consulta farmacêutica" entre o farmacêutico e o utente numa sala de consulta. O utente é elegível para o MUR se tiver recebido os últimos 3 meses de medicação para condições crónicas da farmácia em questão. Nesta consulta tento perceber se existem interacções entre os medicamentos tomados de forma regular, se são tomados na melhor altura, se existem efeitos secundários e como podem ser evitados, se existem problemas na administração dos mesmos etc etc. Sugestões mais simples são passadas directamente ao utente, sendo que situações mais sérias são encaminhadas para o médico de família. Este serviço é gratuito para o utente e a farmácia recebe 28 libras por cada consulta. (cada farmácia pode fazer um máximo de 400 MURs por ano).
Nessa segunda feira apenas fiz um MUR, mas na terça-feira completei quatro. Vão-se fazendo conforme disponibilidade de tempo por parte do farmacêutico e oferta de utentes com quem ter estas consultas.
New Medicine Service (NMS): Este é um serviço mais recente. Envolve duas consultas de seguimento farmacêutico com o utente a quem foi prescrita medicação nova, pertencente a determinadas categorias farmacoterapêuticas (de momento abrange medicamentos para o sistema respiratório e medicação para hipertensão). Primeira consulta (intervention consultation) cerca de duas semanas após inicio da terapia e segunda consulta (follow up consultation) após quatro semanas. Este serviço é gratuito para o utente e a farmácia recebe entre 20 e 28 libras por cada NMS completo. (o pagamento é complexo, dependendo do número total de NMS completos pela farmácia, daí 20 a 28 libras). Nessa segunda-feira fiz uma consulta (após duas semanas - intervention consultation) com um jovem a quem tinha sido prescrito um inalador de salbutamol pela primeira vez. Verifiquei que usava a técnica correcta de inalação, e dei uma explicação sobre em que situações usar o medicamento e o que esperar dele. Perguntei sobre a sua eficácia, efeitos secundários e opinião geral do paciente sobre o medicamento. Esclareci qualquer dúvida que me colocou.
Supervised consumption of methadone/buprenorphine: Este serviço (também existente em Portugal, mas numa escala diferente) envolve supervisionar a toma da dose de um substituto de opioides (ie heroína). Creio que cada dose supervisionada atrai um pagamento de 1,75 libras. A supervisão da toma de comprimidos (por exemplo buprenorfina sublingual) tem um pagamento ligeiramente maior pois é um processo mais moroso. Numa farmácia como a minha, são dispensadas entre 40 e 90 doses diárias (há dias da semana mais ocupados que outros) e mais de metade são supervisionadas. (além do pagamento pela supervisão do consumo da dose, ainda há um pagamento pela dispensa de cada dose). Este serviço prestei-o várias vezes nessa segunda-feira.
Morning After Pill: Pílula do dia seguinte. Farmacêuticos com formação para tal podem fornecer a pílula do dia seguinte de forma gratuita e muitas vezes em situações que ultrapassam as indicações do medicamento (por exemplo a menores de 16 anos). Este serviço envolve uma consulta entre o farmacêutico e a utente numa sala de consulta. O serviço e pílula é gratuita para a utente e a farmácia recebe cerca de 15 libras por consulta mais os custos que esta acarretar, como a pílula do dia seguinte (que nem sempre é fornecida) e testes de gravidez (que de vez em quando são utilizados em linha com a guide-line). Nesta segunda-feira apenas fiz uma destas consultas.
Chlamydia Screening: Despiste da DST Clamídia. Este serviço pode ou não ser acoplado à consulta da pílula do dia seguinte. Envolve a colheita de uma amostra de urina e o envio da mesma para análise microbiológica. O utente recebe os resultados por SMS ou carta e tratamento em caso de presença da DST. Creio que a farmácia recebe cerca de 4 libras por cada amostra enviada para análise, sendo gratuito para os utentes. Nessa segunda-feira enviei uma amostra para análise.
Smoking Cessation: Consultas de cessação tabágica. Não fiz a formação para este serviço e como o NHS não exige que seja providenciado pelo farmacêutico, na minha farmácia foi uma técnica de farmácia que adquiriu qualificações para este serviço. Este serviço envolve consultas semanais com os utentes, com aconselhamento, monitorização dos níveis de monóxido de carbono e prescrição de medicação para efeitos de cessação tabágica. As consultas são gratuitas para o utente e aos medicamentos prescritos aplicam-se as mesmas regras dos prescritos por outros prescritores (ie médicos), onde na prática quase ninguém paga, e se o fizer nunca é muito. A farmácia recebe acima de 50 libras por cada utente bem sucedido. Nessa segunda-feira a farmácia realizou 2 ou 3 consultas de cessação tabágica.
Há ainda vários outros serviços prestados pelas farmácias britânicas com os quais não lidei nesse dia.
Em suma, o dia a dia é bastante agitado e variado. Este post mostra como a farmácia de cá está menos dependente do rendimento proveniente das fontes tradicionais (dispensa de medicamentos e venda de medicamentos não sujeitos e receita médica e outros produtos de saúde). Todos os serviços acima prestados são financiados directamente pelo sistema se saúde britânico e não de forma privada pelos utentes. Esta parceria Estado/Farmácias é algo que é praticamente inexistente em Portugal, o que é de lamentar.
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Se o migrant_script não vai à neve...
a neve vem ao migrant_script. (chega a ser romântico).
E que saudades tinha eu da neve, muito fruto de uma última experiência cheia de boas memórias, Andorra em 2011. Desta vez não houve esquis, mas nem por isso deixei de "patinar".
Assim, há coisa de duas semanas calhou-me o turno da noite numa sexta-feira. E tal como o descrito na previsão do boletim meteorológico começou a nevar fortemente pelas 19h00. Inicialmente toda a gente suspirava o quão bonita era a neve e o quão divertido iria ser o fim de semana que vinha a caminho, e toda a brincadeira com as crianças que iria proporcionar. Ora, primeiro eu ia ter um fim de semana de trabalho, e segundo nem crianças para brincar na neve eu tenho, por isso fiquei indiferente e sem grande interesse. O facto de ninguém ter entrado na farmácia nas duas últimas horas de abertura, e de não ter parado de nevar por um minuto deixou-me com algum receio.
E que saudades tinha eu da neve, muito fruto de uma última experiência cheia de boas memórias, Andorra em 2011. Desta vez não houve esquis, mas nem por isso deixei de "patinar".
Assim, há coisa de duas semanas calhou-me o turno da noite numa sexta-feira. E tal como o descrito na previsão do boletim meteorológico começou a nevar fortemente pelas 19h00. Inicialmente toda a gente suspirava o quão bonita era a neve e o quão divertido iria ser o fim de semana que vinha a caminho, e toda a brincadeira com as crianças que iria proporcionar. Ora, primeiro eu ia ter um fim de semana de trabalho, e segundo nem crianças para brincar na neve eu tenho, por isso fiquei indiferente e sem grande interesse. O facto de ninguém ter entrado na farmácia nas duas últimas horas de abertura, e de não ter parado de nevar por um minuto deixou-me com algum receio.
(frente da farmácia bem antes da hora do fecho)
(parque de estacionamento, onde o meu carro estava sozinho)
Aqui começou um verdadeiro pagode. Há um portão que apenas abre ao detectar a presença do carro. O pior é que esse portão fica numa rampa com uma inclinação suficiente para que o carro, numa situação de nevão, não arranque uma vez parado. A mesma coisa já me tinha acontecido há três anos atrás. Mas desta vez estava mesmo sozinho.
Depois de muito patinar e já a considerar dormir na farmácia, lá encontrei sal num contentor e espalhei-o à mão. Esperei uns 20 min para que a neve derretesse e lá consegui. Mesmo assim, foi mesmo à justa. Daí tive que fazer uma rua inteira em contra-mão e uma rotunda ao contrário (isto para evitar descidas que adivinhava não conseguir subir).
Decidi filmar algumas partes da minha saga com o telemóvel e editar no iMovie (não está grande espingarda, mas já valeu ter aprendido a trabalhar com o programa).
Depois de entrar na auto-estrada deixei de filmar, e apesar de estar ainda a mais de 15km de casa estava confiante que seria fácil chegar ao destino. Enganei-me. A auto-estrada estava fechada a partir do meio do meu percurso, e em Blackburn o nevão tinha sido bem pior!
Lá acabei por chegar a casa pela 00:30. Houve zonas do percurso que as rodas do carro entraram nos regos cavados por outros carros e a parte da frente do carro fez de limpa neves a empurrar a neve. Isso deve explicar o facto de a tampa que fica por debaixo do motor se tenha partido e caído. Muita gente vi a deixar os carros encalhados e a andar ao longo das estradas e auto-estrada. Um cenário incrível.
Estacionei o carro e tirei umas fotos antes de entrar em casa:
Mas isso de chegar a casa, apesar da sensação de alivio, não me deixou descansar. Porquê? Porque no dia seguinte era Sábado de intenso trabalho. Era suposto trabalhar das 9:00-13:00 numa farmácia bem lá no meio do nada, na montanha, e depois 15:00-22:30 na minha farmácia do costume. Seguindo os conselhos da Anita, lá mandei email e sms ao responsável pela coordenação dos farmacêuticos locums da farmácia de Sábado de manhã a dizer que muito provavelmente no dia seguinte não conseguiria ir trabalhar devido à neve. Disse também que de qualquer modo ia meter o alarme para bem cedo, e que pelo menos ia tentar.
Assim foi. Apesar de ter deitado já depois da 1:00am às 6:00am já estava a pé. Já tinha parado de nevar e a estrada em frente à minha casa já estava melhor. Como estava frio, decidi, pela primeira vez de sempre, usar uma camisola de lã por cima da camisa e gravata, já que normalmente rapo frio na farmácia da terriola.
Já com pequeno almoço no bucho lá entro no carro, com quase duas horas no bolso para fazer os 40 km que me esperavam. O problema foi que apesar de ter estacionado pertinho da estrada principal, fi-lo na estrada secundária perpendicular à principal (exactamente no lugar oposto ao carro da foto acima, todo coberto de neve). O resultado foi o carro completamente atolado de neve. É que nem 5 cm ele mexeu apesar das altas rotações dos pneus. Lá fui à arrecadação exterior (e nem me vou alongar no trabalho de tirar neve para abrir portas) para ir buscar uma pá. E lá andei a tirar neve à pá durante uns longos minutos. Entrei e saí do carro umas seis ou sete vezes, com progressos na ordem dos 50cm de cada vez. 20 minutos depois lá consegui entrar na estrada, não sem antes ter tido a ajuda de outro portador de uma pá e de um bêbado que passava na rua naquela altura. A suar em pinga, tirei a camisola, liguei o ar condicionado no frio, abri a camisa e fiz-me ao caminho.
(auto-estrada praticamente limpa logo de manhã cedo! Grande trabalho durante a noite. Dá para ver muitos carros que foram deixados ao longo da auto-estrada na noite anterior)
E sem grandes incidentes lá cheguei à primeira farmácia, e depois à segunda farmácia. Só para terem uma ideia, a minha patroa que vive na mesma cidade da farmácia (embora na periferia) ficou num hotel de sexta-feira para Sábado e Sábado para Domingo como forma de garantir que não faltava ao trabalho, e ela tem um 4x4!
(quando estacionei antes de começar o turno 9:00-13:00)
PS: Agora digam lá que não é de valor um farmacêutico dedicado como este.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Estatísticas de um ano de trabalho - 3
Ora viva,
Chegou a hora de fazer o resumo anual da minha actividade profissional! Algo que me dá bastante prazer fazer, e que já agora partilho aqui.
Ao contrário do desejei no post do ano passado, acabei por trabalhar mais dias e folgar menos. Se calhar até nem é mau que assim seja, pois em breve o trabalho começará a escassear cada vez mais.
E agora vou finalizar o meu "Tax Return" que o prazo termina a 31 Janeiro.
Inté
Chegou a hora de fazer o resumo anual da minha actividade profissional! Algo que me dá bastante prazer fazer, e que já agora partilho aqui.
Faço este "resumo" pelo terceiro ano consecutivo. A minha situação profissional continua a mesma: Locum Pharmacist ("Farmacêutico a recibos verdes"). Link para o post do 1º ano, e post do 2º ano.
Ficam aqui as estatísticas do ano 2011/2012:
(entre parêntesis o ano (2010-2011) e ((2009-2010))
Nr de companhias de farmácias onde trabalhei: 3 (4) ((5))
Nr de farmácias diferentes em que trabalhei: 5 (6) ((15))
Distância da farmácia mais próxima: 3 milhas = 4.8km (0,4 milhas) ((1,3 milhas))
Distância da farmácia mais distante: 25 milhas = 40,2km (25 milhas) ((40,5 milhas))
Mínimo nr de horas num dia: 3 horas (3 horas) ((1 hora))
Máximo nr de horas num dia: 11.5 horas (13,5 horas) ((13 horas))
Início mais cedo: 7h00 (7h00) ((7h00))
Fim mais tarde: 22h20 (23h00) ((22h30))
Dias que não trabalhei: 144 dias (151 dias) ((148 dias))
Dias em que trabalhei: 222 dias (213 dias) (217 dias)
Maior número de dias consecutivos de trabalho: 9 dias (6 dias) ((7 dias))
Maior número de dias consecutivos de folga/férias: 15 dias (15 dias) ((16 dias))
Dias da semana em que trabalhei:
Segunda-feira: 41 vezes (42 vezes) ((43 vezes))
Nr de farmácias diferentes em que trabalhei: 5 (6) ((15))
Distância da farmácia mais próxima: 3 milhas = 4.8km (0,4 milhas) ((1,3 milhas))
Distância da farmácia mais distante: 25 milhas = 40,2km (25 milhas) ((40,5 milhas))
Mínimo nr de horas num dia: 3 horas (3 horas) ((1 hora))
Máximo nr de horas num dia: 11.5 horas (13,5 horas) ((13 horas))
Início mais cedo: 7h00 (7h00) ((7h00))
Fim mais tarde: 22h20 (23h00) ((22h30))
Dias que não trabalhei: 144 dias (151 dias) ((148 dias))
Dias em que trabalhei: 222 dias (213 dias) (217 dias)
Maior número de dias consecutivos de trabalho: 9 dias (6 dias) ((7 dias))
Maior número de dias consecutivos de folga/férias: 15 dias (15 dias) ((16 dias))
Dias da semana em que trabalhei:
Segunda-feira: 41 vezes (42 vezes) ((43 vezes))
Terça-feira: 45 vezes (47 vezes) ((46 vezes))
Quarta-feira: 9 vezes (5 vezes) ((4 vezes))
Quarta-feira: 9 vezes (5 vezes) ((4 vezes))
Quinta-feira: 48 vezes (47 vezes) ((46 vezes))
Sexta-feira: 43 vezes (47 vezes) ((44 vezes))
Sábado: 29 vezes (20 vezes) ((28 vezes))
Domingo: 7 vezes (5 vezes) ((6 vezes))
Dias em que trabalhei em 2 farmácias diferentes: 3 vezes (8 vezes) ((8 vezes))
Total viajado: (casa-farmácia-casa, via michellin): 6753 milhas=10868km (6171,4 milhas) ((6062,9 milhas))
Sexta-feira: 43 vezes (47 vezes) ((44 vezes))
Sábado: 29 vezes (20 vezes) ((28 vezes))
Domingo: 7 vezes (5 vezes) ((6 vezes))
Dias em que trabalhei em 2 farmácias diferentes: 3 vezes (8 vezes) ((8 vezes))
Total viajado: (casa-farmácia-casa, via michellin): 6753 milhas=10868km (6171,4 milhas) ((6062,9 milhas))
De alguma forma já suspeitava que iria obter este cenário. Este tratamento estatístico mostra que:
- Cada vez vario menos quanto aos meus locais de trabalho. Isto por opção própria, pois prefiro repetir farmácias onde conheço o staff e onde sei como tudo funciona. (apenas trabalhei em 5 farmácias diferentes num ano inteiro!)
- Viajo de carro cada vez mais! (isto não é bom, preferiria viajar o menos possível)
- Cada vez menos trabalho em farmácias diferentes num mesmo dia. Apenas 3 vezes neste último ano, o que é bom, pois são dias muito "pesados" quando trabalho em duas farmácias diferentes.
- Os meus típicos dias de folga são cada vez mais de trabalho. Trabalhei mais vezes à quarta-feira, ao Sábado e ao Domingo. Será uma tendência que se irá manter, sobretudo relativamente ao fim de semana, o que acompanha a tendência da maioria das profissões, pois cada vez menos empregos envolvem o típico segunda a sexta.
E agora vou finalizar o meu "Tax Return" que o prazo termina a 31 Janeiro.
Inté
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Inspector Carvalho
Viva,
Ora aqui segue um post curioso de uma situação com a qual lidei recentemente ao trabalhar na farmácia.
Não é novidade para os seguidores do blog que sou um bufo. É só relembrar o caso do carro com o selo expirado.
Fazendo um aparte, acredito bastante numa sociedade vigilante ao invés de um estado controlador. As autoridades têm que estar presentes e a postos para apoiar e dar seguimento a denúncias feitas por parte dos seus cidadãos, e pouco mais que isso, seja em matérias da criminalidade comum , de corrupção, evasão fiscal, negligência profissional, transgressão das regras do código de estrada, etc.
Voltando então à situação em questão. Há poucas semanas atrás, já depois das 22:00 recebemos uma chamada na farmácia, na qual outra farmácia dizia que iam encaminhar um cliente porque não tinham todos os medicamentos requisitados na receita médica em questão.
Ao verificar a receita que a minha colega tinha dispensado fico com algumas suspeitas sobre a legitimidade da mesma. Sobretudo relativamente a um segundo item onde era possível ler "Diazipam 10mgs 4/52".
Ora bem, quanto mais olhava para a receita, com mais certeza ficava que se tratava de uma situação fraudulenta. Desde logo, pelo facto de se tratar da dose máxima para o diazepam em comprimidos e depois porque o número 4 em "Olanzapine 10mgs 4/52" era feito de uma forma completamente diferente comparativamente à segunda linha "Diazipam 10mgs 4/52", e depois o erro ortográfico em diazepam, apesar de isso ser bastante comum em receitas manuscritas.
Mas aqui é que começa o dilema! Que fazer? Como enfrentar o cliente e como abordar a situação, sobretudo já depois das 22:15 e com mais ninguém na farmácia.
Dispensei o primeiro item após algumas questões e disse que tinha que confirmar com o médico certos detalhes quanto ao segundo item. Logo no dia seguinte o meu patrão ligou para a clinica onde confirmou que o segundo item não tinha sido prescrito pelo médico.
Na semana seguinte dei seguimento ao caso. Fiquei a saber que as autoridades levam assuntos deste tipo com bastante importância. Reportei ao PCT local (autoridade regional de saúde), e à polícia. O Drug Tariff (livro emitido com periodicidade mensal que determina o pagamento às farmácias pelos vários serviços prestados), estipula o pagamento de 70 libras para qualquer caso reportado de receita médica fraudulenta! Acho bem, há que premiar o trabalho que envolve lidar com uma situação destas.
Entretanto já enviei a papelada para receber o pagamento de 70 libras por reportar a receita médica e já fui à polícia fazer um depoimento, e em breve provavelmente terei de estar presente em tribunal relativamente a este caso.
Já não é a primeira vez que lido com uma situação de receita falsa. Há uns quatros anos atrás a minha denuncia até levou à descoberta de algo mais sério. Na altura foi o facto de ter recebido pela segunda vez uma receita de dentista para dihidrocodeina, sendo que a quantidade prescrita seria o suficiente para um mês (normalmente dentistas prescrevem quantidades para uma semanita). Após investigações descobriu-se que o cliente em questão tinha-se apoderado de um bloco de receitas do pai, dentista reformado!
PS1: Não meto aqui foto da receita por razões óbvias, sendo prova em tribunal, mas garanto que o cliente envolvido no caso fez um excelente trabalho em imitar a escrita do médico. Quase todos os meus colegas admitiram que lhes teria escapado.
PS2: Este post é obviamente em contra-corrente com o post anterior dos farmacêuticos de Londres que venderam Diazepam sem receita médica, como mostra na reportagem da BBC. A seriedade e celeridade com que a polícia tratou este caso onde alguém tentou obter 28 comprimidos de diazepam 10mgs, mostra o quão sério é o caso reportado pela BBC. Não só aqueles farmacêuticos perderão a carteira profissional como serão sujeitos a tribunal e a uma pena a condizer.
PS3: Inspector Carvalho ao seu dispor.
Ora aqui segue um post curioso de uma situação com a qual lidei recentemente ao trabalhar na farmácia.
Não é novidade para os seguidores do blog que sou um bufo. É só relembrar o caso do carro com o selo expirado.
Fazendo um aparte, acredito bastante numa sociedade vigilante ao invés de um estado controlador. As autoridades têm que estar presentes e a postos para apoiar e dar seguimento a denúncias feitas por parte dos seus cidadãos, e pouco mais que isso, seja em matérias da criminalidade comum , de corrupção, evasão fiscal, negligência profissional, transgressão das regras do código de estrada, etc.
Voltando então à situação em questão. Há poucas semanas atrás, já depois das 22:00 recebemos uma chamada na farmácia, na qual outra farmácia dizia que iam encaminhar um cliente porque não tinham todos os medicamentos requisitados na receita médica em questão.
Ao verificar a receita que a minha colega tinha dispensado fico com algumas suspeitas sobre a legitimidade da mesma. Sobretudo relativamente a um segundo item onde era possível ler "Diazipam 10mgs 4/52".
Ora bem, quanto mais olhava para a receita, com mais certeza ficava que se tratava de uma situação fraudulenta. Desde logo, pelo facto de se tratar da dose máxima para o diazepam em comprimidos e depois porque o número 4 em "Olanzapine 10mgs 4/52" era feito de uma forma completamente diferente comparativamente à segunda linha "Diazipam 10mgs 4/52", e depois o erro ortográfico em diazepam, apesar de isso ser bastante comum em receitas manuscritas.
Mas aqui é que começa o dilema! Que fazer? Como enfrentar o cliente e como abordar a situação, sobretudo já depois das 22:15 e com mais ninguém na farmácia.
Dispensei o primeiro item após algumas questões e disse que tinha que confirmar com o médico certos detalhes quanto ao segundo item. Logo no dia seguinte o meu patrão ligou para a clinica onde confirmou que o segundo item não tinha sido prescrito pelo médico.
Na semana seguinte dei seguimento ao caso. Fiquei a saber que as autoridades levam assuntos deste tipo com bastante importância. Reportei ao PCT local (autoridade regional de saúde), e à polícia. O Drug Tariff (livro emitido com periodicidade mensal que determina o pagamento às farmácias pelos vários serviços prestados), estipula o pagamento de 70 libras para qualquer caso reportado de receita médica fraudulenta! Acho bem, há que premiar o trabalho que envolve lidar com uma situação destas.
Entretanto já enviei a papelada para receber o pagamento de 70 libras por reportar a receita médica e já fui à polícia fazer um depoimento, e em breve provavelmente terei de estar presente em tribunal relativamente a este caso.
Já não é a primeira vez que lido com uma situação de receita falsa. Há uns quatros anos atrás a minha denuncia até levou à descoberta de algo mais sério. Na altura foi o facto de ter recebido pela segunda vez uma receita de dentista para dihidrocodeina, sendo que a quantidade prescrita seria o suficiente para um mês (normalmente dentistas prescrevem quantidades para uma semanita). Após investigações descobriu-se que o cliente em questão tinha-se apoderado de um bloco de receitas do pai, dentista reformado!
PS1: Não meto aqui foto da receita por razões óbvias, sendo prova em tribunal, mas garanto que o cliente envolvido no caso fez um excelente trabalho em imitar a escrita do médico. Quase todos os meus colegas admitiram que lhes teria escapado.
PS2: Este post é obviamente em contra-corrente com o post anterior dos farmacêuticos de Londres que venderam Diazepam sem receita médica, como mostra na reportagem da BBC. A seriedade e celeridade com que a polícia tratou este caso onde alguém tentou obter 28 comprimidos de diazepam 10mgs, mostra o quão sério é o caso reportado pela BBC. Não só aqueles farmacêuticos perderão a carteira profissional como serão sujeitos a tribunal e a uma pena a condizer.
PS3: Inspector Carvalho ao seu dispor.
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Secret Santa
O Secret Santa (ou versão portuguesa "amigo secreto") é algo bastante popular por terras britânicas. Em qualquer loja, empresa ou até grupos de amigos é organizado uma troca de prendas anónima por altura do natal. Algum tempo antes do natal cada um tira um papelinho com o nome de um colega de trabalho e fica encarregue de lhe comprar um prenda até ao natal.
Tinha mais piada se todos alinhassem em prendas "malandras" e para gozar com o prendado respectivo, mas a maior parte dos meus colegas querem é dar uma prenda que seja "lovely" tal como eles dizem.
(Pensei que era assim que todos alinhavam, e no meu primeiro ano comprei a uma técnica de farmácia uma lingerie feita de doces (rebuçados e afins). Foi uma galhofa por causa disso, mas ela nem a chegou a levar para casa. Pelos vistos o marido é diabético. Temos pena que a minha prenda não tenha sido "lovely".)
Este ano e provavelmente devido à minha fama de um gosto requintado e de quem come comida estranha (polvo, lulas, peixe inteiro, cabidela etc) recebi isto:
Uns "Thai green curry crickets". Portanto uns grilos à moda da Tailândia. Não comi nada semelhante quando lá fui no ano passado (sim, já estamos em 2013), e vou agora comê-los no Reino Unido. Gostei, é este o tipo de prendas que defendo para os Secret Santas. (Obviamente que vou comê-los. Planeio ter uma cervejola à mão.
Também recebi:
Flores de camomila para fazer infusão. Também sou olhado de canto na farmácia por beber infusões. Já não bastava beber chá sem leite, como também bebo infusões de camomila, cidreira, limão e outras que tais, dos quais os inlgeses nem querem saber.
E ainda:
Uns saquinhos para fazer o "mulled wine". Que cheirinho agradável que têm. Irei usá-los com certeza.
Tinha mais piada se todos alinhassem em prendas "malandras" e para gozar com o prendado respectivo, mas a maior parte dos meus colegas querem é dar uma prenda que seja "lovely" tal como eles dizem.
(Pensei que era assim que todos alinhavam, e no meu primeiro ano comprei a uma técnica de farmácia uma lingerie feita de doces (rebuçados e afins). Foi uma galhofa por causa disso, mas ela nem a chegou a levar para casa. Pelos vistos o marido é diabético. Temos pena que a minha prenda não tenha sido "lovely".)
Este ano e provavelmente devido à minha fama de um gosto requintado e de quem come comida estranha (polvo, lulas, peixe inteiro, cabidela etc) recebi isto:
Uns "Thai green curry crickets". Portanto uns grilos à moda da Tailândia. Não comi nada semelhante quando lá fui no ano passado (sim, já estamos em 2013), e vou agora comê-los no Reino Unido. Gostei, é este o tipo de prendas que defendo para os Secret Santas. (Obviamente que vou comê-los. Planeio ter uma cervejola à mão.
Também recebi:
Flores de camomila para fazer infusão. Também sou olhado de canto na farmácia por beber infusões. Já não bastava beber chá sem leite, como também bebo infusões de camomila, cidreira, limão e outras que tais, dos quais os inlgeses nem querem saber.
E ainda:
Uns saquinhos para fazer o "mulled wine". Que cheirinho agradável que têm. Irei usá-los com certeza.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Investigação BBC
Cá segue um post sobre farmácia.
Esta segunda-feira estava eu a tomar um pequeno-almoço madrugador quando me deparo com a BBC news a transmitir esta reportagem sobre farmácias a venderem MSRM (em inglês POM-Prescription Only Medicines) sem receita médica.
Notícia BBC
Reportagem no BBC iPlayer (provavelmente disponível apenas para residentes no UK, e não por muito tempo)
Confesso que me deixou estupefacto. Eu que já trabalhei em mais de 30 farmácias diferentes e que tenho uma razoável rede de contactos entre farmacêuticos que trabalham em diversos pontos do Reino Unido, nunca tive a mais ligeira sugestão que algo do género pudesse ocorrer. Obviamente que o meu estado de inocência permitia que imaginasse que, como em qualquer profissão, houvessem profissionais menos éticos, menos competentes, mas não a este ponto.
De certa forma a comunidade farmacêutica britânica está chocada, e agora quer sangue. Eu também o quero. Aliás até enviei um email à ordem dos farmacêuticos de cá (GPhC) a mostrar a minha indignação com esta situação. Disse-lhes que deles os farmacêuticos esperavam um atitude firme e rápida. E que seria bom que as acções por eles tomadas chegassem aos meios de comunicação social. Passado uma hora já tinha resposta na minha caixa de email (e não foi uma resposta automática).
Notícia no Chemist and Druggist (site muito interessante do mundo da farmácia britânico), onde vários farmacêuticos deixaram comentários.
O modelo de farmácia britânico é apresentado vezes sem conta em Portugal como um exemplo errado, onde até vendem medicamentos no supermercado. Pois bem, nesta investigação da BBC conseguiram ao longo de algumas semanas comprar 24 comprimidos de viagra, 200 e tal capsulas de amoxicilina e 200 e tal comprimidos de benzodiazepinas (diazepam e temazepam)! Isto é a realidade da grande maioria das farmácias portuguesas todos os dias (o modelo de onde tudo funciona bem), mas aqui no Reino Unido causou choque. Políticos vieram falar sobre o assunto, o GPhC já confirmou que vão tomar medidas, a comunidade farmacêutica já se mostrou indignada.
Aguardo com interesse o desenrolar deste episódio. Que o GPhC tome medidas exemplares e que sejam dissuasoras, embora tenha a certeza que esta situação nunca aconteceu de forma generalizada*.
*
- Nunca ouvi qualquer tipo de comentário sobre qualquer farmácia a vender POM sem receita médica.
- Nunca nenhum paciente me pediu que lhe vendesse um POM sem receita, ou fez qualquer comentário de poderia comprar noutro lado qualquer.
- Quem conseguir ver a reportagem vai perceber que todos os pedidos para compra de amoxicilina ou diazepam foram feitos não em inglês mas numa língua árabe (provavelmente estes farmacêuticos pensaram que estavam protegidos dentro da "sua comunidade" não inglesa.)
Esta segunda-feira estava eu a tomar um pequeno-almoço madrugador quando me deparo com a BBC news a transmitir esta reportagem sobre farmácias a venderem MSRM (em inglês POM-Prescription Only Medicines) sem receita médica.
Notícia BBC
Reportagem no BBC iPlayer (provavelmente disponível apenas para residentes no UK, e não por muito tempo)
Confesso que me deixou estupefacto. Eu que já trabalhei em mais de 30 farmácias diferentes e que tenho uma razoável rede de contactos entre farmacêuticos que trabalham em diversos pontos do Reino Unido, nunca tive a mais ligeira sugestão que algo do género pudesse ocorrer. Obviamente que o meu estado de inocência permitia que imaginasse que, como em qualquer profissão, houvessem profissionais menos éticos, menos competentes, mas não a este ponto.
De certa forma a comunidade farmacêutica britânica está chocada, e agora quer sangue. Eu também o quero. Aliás até enviei um email à ordem dos farmacêuticos de cá (GPhC) a mostrar a minha indignação com esta situação. Disse-lhes que deles os farmacêuticos esperavam um atitude firme e rápida. E que seria bom que as acções por eles tomadas chegassem aos meios de comunicação social. Passado uma hora já tinha resposta na minha caixa de email (e não foi uma resposta automática).
Notícia no Chemist and Druggist (site muito interessante do mundo da farmácia britânico), onde vários farmacêuticos deixaram comentários.
O modelo de farmácia britânico é apresentado vezes sem conta em Portugal como um exemplo errado, onde até vendem medicamentos no supermercado. Pois bem, nesta investigação da BBC conseguiram ao longo de algumas semanas comprar 24 comprimidos de viagra, 200 e tal capsulas de amoxicilina e 200 e tal comprimidos de benzodiazepinas (diazepam e temazepam)! Isto é a realidade da grande maioria das farmácias portuguesas todos os dias (o modelo de onde tudo funciona bem), mas aqui no Reino Unido causou choque. Políticos vieram falar sobre o assunto, o GPhC já confirmou que vão tomar medidas, a comunidade farmacêutica já se mostrou indignada.
Aguardo com interesse o desenrolar deste episódio. Que o GPhC tome medidas exemplares e que sejam dissuasoras, embora tenha a certeza que esta situação nunca aconteceu de forma generalizada*.
*
- Nunca ouvi qualquer tipo de comentário sobre qualquer farmácia a vender POM sem receita médica.
- Nunca nenhum paciente me pediu que lhe vendesse um POM sem receita, ou fez qualquer comentário de poderia comprar noutro lado qualquer.
- Quem conseguir ver a reportagem vai perceber que todos os pedidos para compra de amoxicilina ou diazepam foram feitos não em inglês mas numa língua árabe (provavelmente estes farmacêuticos pensaram que estavam protegidos dentro da "sua comunidade" não inglesa.)
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terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Vida de emigrante é assim...
... trabalho, trabalho, trabalho.
Nesta época festiva, de paz e amor, de confraternização em família, o emigra autor deste blog vai trabalhar dia 20 e 21 (como toda a gente), mas também no Sábado dia 22, no Domingo dia 23, na véspera de Natal dia 24 e como se não bastasse também trabalhará no dia 25!
Por favor mostrem alguma compaixão por mim deixando-me mensagens de apoio. Mais compaixão terá quem conhecer a realidade da farmácia britânica nesta época natalícia, quando a população entra em modo "animal" por se terem esquecido de organizar a medicação (encomendar receitas, etc).
Pior ainda este ano, quando muitos pacientes, ao contrário do que anteciparam, acordarem no dia 22. Certamente irão direitos à farmácia causar "o fim do mundo"!!
Nesta época festiva, de paz e amor, de confraternização em família, o emigra autor deste blog vai trabalhar dia 20 e 21 (como toda a gente), mas também no Sábado dia 22, no Domingo dia 23, na véspera de Natal dia 24 e como se não bastasse também trabalhará no dia 25!
Por favor mostrem alguma compaixão por mim deixando-me mensagens de apoio. Mais compaixão terá quem conhecer a realidade da farmácia britânica nesta época natalícia, quando a população entra em modo "animal" por se terem esquecido de organizar a medicação (encomendar receitas, etc).
Pior ainda este ano, quando muitos pacientes, ao contrário do que anteciparam, acordarem no dia 22. Certamente irão direitos à farmácia causar "o fim do mundo"!!
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Christmas Do
Mais um Natal à porta significa mais uma festa de natal da farmácia ("Christmas do" como se diz por cá).
Ora bem, este era o aviso que esta semana marcou presença no placard de avisos da farmácia:
Portanto, a reter, saber a que horas é para estar lá (sempre a pontualidade britânica) e que cada um pode ir vestido como quiser (mas todos sabendo que é para ir vestido como deve ser, de fato ou equivalente para os homens e com os tacões mais altos possíveis no caso das mulheres.) Mais importante ainda, ir psicologicamente preparado para ficar bêbado e ver todos os colegas em belos preparos.
Os ingleses adoram estas ocasiões, em que independentemente da idade, todos apanham uma bela carroça. Depois é ver a técnica a agarrar-se ao patrão a dizer-lhe "I love youuuu", ou gente com idade para ter juizo a sair ao colo de dois seguranças até à porta do Taxi.
Antes das bebidas começarem a ser servidas até fazemos uma equipa com alguma pinta:
E é já amanhã!!!
PS: Foto de 2008. Entretanto já muita gente entrou e saiu dos quadros da farmácia.
Ora bem, este era o aviso que esta semana marcou presença no placard de avisos da farmácia:
Portanto, a reter, saber a que horas é para estar lá (sempre a pontualidade britânica) e que cada um pode ir vestido como quiser (mas todos sabendo que é para ir vestido como deve ser, de fato ou equivalente para os homens e com os tacões mais altos possíveis no caso das mulheres.) Mais importante ainda, ir psicologicamente preparado para ficar bêbado e ver todos os colegas em belos preparos.
Os ingleses adoram estas ocasiões, em que independentemente da idade, todos apanham uma bela carroça. Depois é ver a técnica a agarrar-se ao patrão a dizer-lhe "I love youuuu", ou gente com idade para ter juizo a sair ao colo de dois seguranças até à porta do Taxi.
Antes das bebidas começarem a ser servidas até fazemos uma equipa com alguma pinta:
E é já amanhã!!!
PS: Foto de 2008. Entretanto já muita gente entrou e saiu dos quadros da farmácia.
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sábado, 10 de novembro de 2012
Staff de farmácia - M/F
Vou deixar aqui outra curiosidade que me saltou à vista dentro do tema farmácia Portugal vs Reino Unido.
As profissões de técnico e ajudante de farmácia são em Portugal dominadas pelo sexo masculino (claro que há farmácias que fogem à regra) enquanto que aqui no Reino Unido são profissão praticamente exclusivas do sexo feminino.
Uma vez que por estas bandas os mecânicos continuam a ser homens e que as educadoras de infância continuam a ser mulheres, é curioso que no mundo da farmácia haja esta diferença.
Tenho dito
As profissões de técnico e ajudante de farmácia são em Portugal dominadas pelo sexo masculino (claro que há farmácias que fogem à regra) enquanto que aqui no Reino Unido são profissão praticamente exclusivas do sexo feminino.
Uma vez que por estas bandas os mecânicos continuam a ser homens e que as educadoras de infância continuam a ser mulheres, é curioso que no mundo da farmácia haja esta diferença.
Tenho dito
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quarta-feira, 29 de agosto de 2012
As farmácias Britânicas
Para não variar, de vez em quando lá sai um post sobre farmácia.
Este Sábado que passou, enquanto esperava pelas 9:00 para começar numa farmácia onde iria trabalhar pela primeira vez, dei uma voltinha pelo centro da vila (Clitheroe, em Lancashire), e até entrei numa delas que já estava aberta para entregar o meu famigerado "business card".
Tirei também a seguinte foto:
Nesta foto aparece à esquerda uma Lloydspharmacy (onde trabalhei), ao centro uma farmácia independente chamada Peterbuckley Pharmacy, mais à direita é possível ver a cruz de uma outra farmácia independente chamada Clitheroe Pharmacy. Poucos metros atrás de mim ficava uma Boots Pharmacy.
E para esta vila do tamanho de Amares/Póvoa de Lanhoso são as farmácias que existem. Qual a razão para tamanha concentração de farmácias? A resposta também aparece na foto, mais ao fundo, entre as duas farmácias independentes, onde fica o centro de saúde da vila.
Pensei mais um pouco e reparo que segundo critério de localização geográfica das farmácias britânicas, há 3 tipos de farmácias:
Tipo 1: Farmácia comunitaria típica: O caso das que aparecem na foto, normalmente com um horário de abertura das 9:00-18:00 e que se distribuem pelo país não em função da concentração da população, mas em função da localização dos centros de saúde ("Doctor's surgeries"). A guerra é acesa pela proximidade com os centros de saúde, e quanto mais perto melhor. Muitas vezes até ficam dentro dos próprios centros de saúde, tal como a farmácias onde eu trabalho mais regularmente e a farmácia da Ana.
A vantagem deste tipo de farmácias consiste exactamente na proximidade com o centro de saúde e pelo facto de ser o modelo de farmácia que sempre existiu, o qual os pacientes sempre conheceram.
Este tipo de farmácias são ou independentes (privadas, não pertencentes a cadeias de farmácias) ou de cadeias tipo Lloydspharmacy, Cooperative Pharmacy, Rowlands, Cohens, Day Lewis, etc.
Tipo2: Farmácia de Hipermercado: Este é um modelo mais recente de farmácias. Ficam localizadas dentro de hipermercados (equivalentes ao Jumbo, Continente etc). Neste campo existem a Tesco Pharmacy, Asda Pharmacy, Sainsbury Pharmacy e Morrisons Pharmacy.
Este modelo resultou naturalmente da diversificação da oferta de produtos por parte dos hipermercados. Se já vamos ao hipermercado em vez de ir ao talho, à peixaria, à frutaria, à drogaria, etc, porque não também ter os medicamentos dispensados num hipermercado? Acompanha a tendência.
Apesar da desvantagem de não se situarem perto dos centros de saúde têm como vantagem a comodidade para os pacientes de poderem fazer tudo num local apenas. Fazer compras, meter gasolina e receber os medicamentos. Além disso têm a enorme vantagem de serem quase sempre "100hours pharmacies" (abertas 100 horas por semana), e que portanto estão abertas sete dias por semana, com horários das 7:00-23:00 ou muito equivalentes a isto.
Tipo3: Farmácia de centro comercial/"high street": Este tipo de farmácias ficam localizadas nos centros comerciais ou nas principais ruas de comércio. É a típica Boots Pharmacy, ou até a Superdrug Pharmacy. Neste tipo de farmácia, o volume de receitas e MSRM dispensados têm uma relevância menor que noutro tipo de farmácias. A secção de cosméticos, cremes, MNSRM e muitas outras áreas é enorme, em contraste com uma área muito pequena para a "dispensary" (onde estão os MSRM e onde se aviam receitas). Algumas Boots Pharmacy têm áreas do tamanho de um Lidl ou até maiores.
De certa forma esta realidade Britânica têm bastantes diferenças com a distribuição das farmácias em Portugal, e por isso achei por bem escrever isto. Para os poucos a quem este tema diga respeito, podem achar interessante.
Abraço
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sábado, 4 de fevereiro de 2012
on the go...
Aqui o vosso menino da aldeia continua maravilhado com o avanço dos smartphones e o quanto tornam a nossa vida tão mais simples, tão melhor!
Ainda há poucos anos isto não teria sido possível (não com a mesma rapidez):
Esta semana fomos à agência de viagens para finalmente marcar as próximas férias. Nem estávamos a contar que ficasse tudo marcado nesse dia, mas depois de muito ver online, achamos que era melhor visitar uma agência de viagens pessoalmente. E assim fizemos.
Praí uma hora depois, já com tudo marcado (os 6 voos, transfers, e 3 hotéis onde vamos ficar) ficamos a saber que teríamos de fazer o pagamento do valor total, e que isso teria de ser feito em x minutos (não sei se de 30 min - 1 hora) para que todas as marcações fossem asseguradas.
Ora bem, estava claramente desprevenido. Os cartões de débito que tinha na carteira são de contas correntes onde não tinha dinheiro suficiente. Tinha cartão de crédito, mas implicaria pagar praí 70£ de taxas adicionais!
É aqui que entram as maravilhas do mobile banking. Pego no telemóvel, abro a app do online banking e em poucos segundos transfiro o dinheiro de uma conta poupança para a conta corrente. Passado um minuto já estava o pagamento das férias finalizado através do cartão multibanco.
(maravilhas do mobile banking e do sistema bancário com transferências instantâneas)
Após esta fase o funcionário da agência de viagens disse que apenas precisava de 10 minutos para organizar e imprimir toda a papelada relativa às nossas férias.
Aí lembrei-me que tinha pedido o sábado da partida para férias de folga. Era uma folga relativa a uma farmácia onde trabalho apenas duas vezes por mês, e que marquei há uns meses pois tinha medo que as férias que viesse a marcar me impedissem de fazer o turno das 9h00 às 13h00. Mas como vamos sair de Manchester às 20h00, decidi enviar email ao coordenador das marcações de farmacêuticos para esta companhia de farmácias inglesas (Cooperative Pharmacy). Disse-lhe que se ainda não tivesse arranjado farmacêutico para a folga que eu tinha requisitado anteriormente, que eu afinal estaria disponível para trabalhar. Respondeu-me imediatamente a dizer que já tinha tratado de me substituir para esse dia, mas que se estivesse interessado em trabalhar que tinha quatro farmácias com vaga para esse Sábado. Vi no google maps a localização das quatros opções propostas e optei por uma farmácia que abriu apenas há um mês e para a qual aceitei trabalhar das 7h00 às 15h00.
Ficou tudo tratado no momento. Saí da agência de viagens com férias tratadas, pagas e trabalho agendado.
(fabuloso a rapidez com que tudo fica tratado e a flexibilidade que a profissão ainda permite)
PS: Pela primeira vez vamos passar duas semanas inteirinhas de férias que não em Portugal.
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Holidays,
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terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Business Card
Ora viva,
Na minha opinião o famoso "Plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro" do meio profissional traduz-se em ter uma vasta colecção de gravatas que se usam diariamente, fazer chamadas telefónicas em língua estrangeira e ter um "business card" que se oferece a torto e a direito a qualquer pessoa com quem se trave contacto profissional.
Neste momento, tendo mais de 30 gravatas no armário, e fazendo diariamente dezenas de chamadas telefónicas usando uma língua que me é estrangeira, falta-me o passo final para atingir esse pico de sucesso profissional. Falta-me um business card (cartão de visita).
Alguém pode dar uma mão?
Foi neste mês de Janeiro que este blog registou o maior número de visitas mensais desde que nasceu há quase cinco anos, o que a prova viva que o facebook não conseguiu matar a blogosfera, e além disso se a pindérica da pipoca mais doce pode criar este tipo de "passatempos", eu também posso.
Dados a aparecer:
Profissão "Locum Pharmacist"
Eugénio Carvalho
GPhC: 123456 (isto é o nr de registo na ordem dos farmacêuticos de cá)
Mobile: 0791212121212
email: 1exemploqualquer@gmail.com
Frase:
"Providing essential, advanced and enhanced services in community pharmacy"
Qualquer obra de arte é enviar para eugenioooo@gmail.com (este email é mesmo o meu)
Nunca se sabe se tenho seguidores com talento e disposição para perder uns 20 minutos num photoshop ou paint. Se não receber nenhum modelo de business card, não fico chateado, eu próprio tratarei de tentar fazer um. Caso receba algumas propostas farei um novo post com direito a votação.
Sugestões serão aceites até às 18h00 do dia dos namorados. (Para parecer assunto sério)
Pago um café ao vencedor*.
Agora num registo mais sério, explico o porquê do cartão. A realidade da farmácia do UK está a apertar cada vez mais, com remunerações a descerem e ofertas de emprego a desaparecerem o que me deixa de certa forma apreensivo. Numa tentativa de me antecipar a uma situação ainda pior no futuro quero com este cartão alargar a minha rede de contactos. Primeiramente visitar algumas farmácias da região e deixar o meu contacto. Se possível conseguir desta forma marcações para um dia ou outro de trabalho e assim dar-me a conhecer no "terreno".
* a não ser que seja benfiquista.
Na minha opinião o famoso "Plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro" do meio profissional traduz-se em ter uma vasta colecção de gravatas que se usam diariamente, fazer chamadas telefónicas em língua estrangeira e ter um "business card" que se oferece a torto e a direito a qualquer pessoa com quem se trave contacto profissional.
Neste momento, tendo mais de 30 gravatas no armário, e fazendo diariamente dezenas de chamadas telefónicas usando uma língua que me é estrangeira, falta-me o passo final para atingir esse pico de sucesso profissional. Falta-me um business card (cartão de visita).
(imagem do google)
Como o portátil onde tinha o photoshop morreu de velhice não tenho alternativa se não vir para aqui criar o passatempo "Cria o business card do Eugénio".Alguém pode dar uma mão?
Foi neste mês de Janeiro que este blog registou o maior número de visitas mensais desde que nasceu há quase cinco anos, o que a prova viva que o facebook não conseguiu matar a blogosfera, e além disso se a pindérica da pipoca mais doce pode criar este tipo de "passatempos", eu também posso.
Dados a aparecer:
Profissão "Locum Pharmacist"
Eugénio Carvalho
GPhC: 123456 (isto é o nr de registo na ordem dos farmacêuticos de cá)
Mobile: 0791212121212
email: 1exemploqualquer@gmail.com
Frase:
"Providing essential, advanced and enhanced services in community pharmacy"
Qualquer obra de arte é enviar para eugenioooo@gmail.com (este email é mesmo o meu)
Nunca se sabe se tenho seguidores com talento e disposição para perder uns 20 minutos num photoshop ou paint. Se não receber nenhum modelo de business card, não fico chateado, eu próprio tratarei de tentar fazer um. Caso receba algumas propostas farei um novo post com direito a votação.
Sugestões serão aceites até às 18h00 do dia dos namorados. (Para parecer assunto sério)
Pago um café ao vencedor*.
Agora num registo mais sério, explico o porquê do cartão. A realidade da farmácia do UK está a apertar cada vez mais, com remunerações a descerem e ofertas de emprego a desaparecerem o que me deixa de certa forma apreensivo. Numa tentativa de me antecipar a uma situação ainda pior no futuro quero com este cartão alargar a minha rede de contactos. Primeiramente visitar algumas farmácias da região e deixar o meu contacto. Se possível conseguir desta forma marcações para um dia ou outro de trabalho e assim dar-me a conhecer no "terreno".
* a não ser que seja benfiquista.
Tema
Pharmacy World
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Farmacêutico no UK - Já foi muito mais fácil...
Ora viva.
O número crescente e constante de emails que continuo a receber sobre o tema da farmácia no Reino Unido "obriga-me" a voltar a este tema. Vou escrever este post num estado de motivação profissional perigosamente baixo.
Trabalho como farmacêutico comunitário no Reino Unido há quase cinco anos, e assisti durante esse tempo a uma transformação absolutamente incrível na realidade do papel do farmacêutico e no dia-a-dia da farmácia.
Em 2008 foi publicado o Pharmacy White Paper, e que revolucionou todo o papel do farmacêutico comunitário e todo o financiamento da farmácia.
Pharmacy White Paper
O número crescente e constante de emails que continuo a receber sobre o tema da farmácia no Reino Unido "obriga-me" a voltar a este tema. Vou escrever este post num estado de motivação profissional perigosamente baixo.
Trabalho como farmacêutico comunitário no Reino Unido há quase cinco anos, e assisti durante esse tempo a uma transformação absolutamente incrível na realidade do papel do farmacêutico e no dia-a-dia da farmácia.
Em 2008 foi publicado o Pharmacy White Paper, e que revolucionou todo o papel do farmacêutico comunitário e todo o financiamento da farmácia.
Pharmacy White Paper
The Government published its long awaited White Paper on pharmacy - Pharmacy in England - Building on Strengths, Delivering the Future on 3rd April 2008.
It contains a great many proposals to expand the role of community pharmacy. Work to implement proposals begins immediately, with NHS Employers acting on behalf of Primary Care Trusts, and PSNC discussing a number of key issues. The community pharmacy contractual framework will be refreshed over the next two years, as new services are developed.
A mudança do papel do farmacêutico de alguém cujo papel principal era aviar receitas, para um prestador de diversos serviços e cuidados de saúde é algo de louvar e cuja ideia é recebida de braços abertos por qualquer farmacêutico motivado, pois permite uma aplicação mais abrangente dos conhecimentos adquiridos e uma maior afirmação da profissão em si. Até aqui estamos todos de acordo, mas o problema é que, fruto dos tempos de crise e de contenção orçamental, o lucro obtido pelas farmácias pela dispensa de medicamentos foi drasticamente reduzido, sendo que para a farmácia consiga manter os mesmos níveis de lucro (facturação) passou a ter que oferecer um número enorme de serviços extra.
Vejamos o que mudou apenas em meia dúzia de anos:
Há meia dúzia de anos o papel principal do farmacêutico era efectivamente aviar receitas (e todo o muito conhecimento que isso implica) e o aconselhamento farmacêutico à população sempre que solicitado e apropriado. Aconselhamento e tratamento de condições médicas mais simples através de medicamentos não sujeitos a receita médica. Só estes pontos descritos já são suficientes para tornarem a profissão bastante desafiante e exigente. (é uma realidade bastante diferente da Portuguesa, que dificilmente poderia ser bem explicada e que neste post não vale a pena).
A prestação de serviços extra, era praticamente inexistente, e resumia-se apenas à dispensa e supervisão de metadona e buprenorfina usados no tratamento da dependência de opióides.
Desde há meia dúzia de anos para cá verificou-se a tal transformação do papel do farmacêutico comunitário que acima referi.
Antes de mais, menciono o crescimento constante do número de items dispensados a nível nacional ("The number of prescription items dispensed in England rose nearly 70 per cent in the past decade while the cost to the NHS rose by 58 per cent, an NHS report showed.") Aumento de 70% nos últimos dez anos!O "Pharmacy contract" é composto por três níveis distintos de prestação de serviços:
ADVANCED SERVICES - CAN BE PROVIDED BY ALL CONTRACTORS ONCE ACCREDITATION REQUIREMENTS HAVE BEEN MET; AND
ENHANCED SERVICES - COMMISSIONED LOCALLY BY PRIMARY CARE TRUSTS (PCTS) IN RESPONSE TO THE NEEDS OF THE LOCAL POPULATION.
Dissecando um pouco diria que os Essential Services consistem no papel clássico do farmacêutico comunitário, que já descrevi acima. (aconselhamento e dispensa de medicação à população).
Os Advanced Services são protocolos a nível nacional que incluem serviços como os MUR – Medicines Use Review (The service consists of accredited pharmacists undertaking structured adherence-centred reviews with patients on multiple medicines, particularly those receiving medicines for long term conditions).
Neste serviço, para o qual o farmacêutico tem de adquirir qualificações e um diploma, o farmacêutico faz uma revisão da medicação com o utente, focando os mais diversos aspectos, como a adesão à terapêutica, adequação da forma farmacêutica, da posologia, da presença de efeitos secundários, verificação da eficácia sempre que possível, sugestão de medidas não farmacológicas para as condições apresentadas, a explicação sobre o funcionamento dos vários fármacos e sobre a importância dos mesmos. Por cada consulta destas, que poderá demorar entre 15 e 45 minutos, a farmácia recebe um pagamento de £28. O serviço é gratuito para o utente e pode ser feito a cada doze meses com um utente que tenha, no mínimo, recebido os três últimos meses de medicação da farmácia em questão.
-- > Tudo isto é muito interessante, verdade, mas durante esses 30 minutos em que o farmacêutico esteve na sua sala de consultas com o utente a fazer o tal MUR, nenhum medicamento saiu da farmácia, pois todas as caixas têm de ser verificadas e assinadas pelo farmacêutico e todas as receitas clinicamente validadas pelo mesmo. Durante esses mesmos 30 minutos, qualquer toxicodependente tem que aguardar pelo farmacêutico para que este supervisione e documente a toma da medicação.
Outro serviço bastante recente é o NMS – New Medicine Service (The new medicine service (NMS) was the fourth advanced service to be added to the NHS community pharmacy contract; It commenced on the 1st October 2011. The service provides support for people with long-term conditions newly prescribed a medicine to help improve medicines adherence; It is initially focused on particular patient groups and conditions)
Este serviço é oferecido a qualquer paciente que inicie terapêutica farmacológica em determinadas áreas (Asma, hipertensão, anticoagulantes e outras). Este serviço envolve três etapas e desenrola-se durante o primeiro mês de terapêutica. Obviamente que este processo envolve consultas entre o farmacêutico e o paciente (consultas presenciais ou pelo telefone) É uma iniciativa gratuita para o utente. O pagamento à farmácia pelo NMS é algo de bastante complexo, mas dará umas £20 por NMS completo.
-- > Tudo isto é muito interessante, verdade. Mas durante todos esses 15 a 30 minutos em que o farmacêutico esteve na sala de consultas com o utente a fazer o tal NMS ou numa consulta telefónica, nenhum medicamento saiu da farmácia, pois todas as caixas têm que ser assinadas pelo farmacêutico e todas as receitas clinicamente validadas pelo mesmo. Durante esses mesmos 30 minutos, qualquer toxicodependente tem que aguardar pelo farmacêutico para que este supervisione a toma da medicação.
Depois existem os Enhanced Services que são os mais variados serviços cujo financiamento e detalhes são acordados com os PCT's que constituem as autoridades de saúde regionais (equivalente às ARS - Administração Regional de Saúde)
Uma lista de possíveis Enhanced Services:
A minha farmácia por exemplo presta a maior parte destes serviços. Para todos é necessária formação e aquisição de qualificações específicas (por outras palavras, adquirir mais um diploma).
Por exemplo, a prestação da Pílula do dia seguinte (contracepção de emergência), envolve uma consulta entre o farmacêutico e a utente, que nunca demora menos de 15 minutos. Durante esses 15 minutos já sabem que a farmácia "pára". Numa farmácia como a minha em que todos os dias se faz a supervisão do consumo de metadona a mais de 50 toxicodependentes, fica um pouco "apertado".
Enfim, vim para aqui desabafar, mas a verdade é que o volume de trabalho está a adquirir proporções física e humanamente incomportáveis.
Durante os últimos 10 anos os salários dos farmacêuticos praticamente não variaram (o que tendo em conta a inflação, constitui uma redução significativa do salário) e a remuneração por hora dos farmacêuticos por conta própria (self-employed) teve uma redução real (isto nem considerando a inflação). Há 10 anos atrás, a vida de um farmacêutico no UK era realmente relaxada, e o financiamento da farmácia permitia o exercer de funções sem grandes pressões. Hoje tudo mudou, os farmacêuticos estão constantemente debaixo de pressões para prestação de serviços e passam o dia a "correr" de tarefa em tarefa. Quando o farmacêutico termina uma consulta de MUR com um utente e volta à "dispensary" é capaz de ter uns 10 utentes à espera da sua medicação mensal. Terá que verificar e ensacar tudo, por vezes contactar o prescritor, e responder a pedidos de aconselhamento por parte dos utentes. O entendimento da dimensão disto pode ser difícil para quem não conheça a realidade, mas a verdade é que apesar do congelamento dos salários dos farmacêuticos na última década, do aumento em 70% do número de items dispensados e da importantíssima implementação de todos os novos serviços, mais de 90% da farmácias britânicas continuam a ter apenas UM farmacêutico!! Isto num cenário de regulamentações apertadas sem espaço para erro humano e numa cada vez maior cultura estilo americano do processo em tribunal por qualquer erro ou aconselhamento errado.
Estou, efectivamente, a ficar fartinho. Outros farmacêuticos portugueses por cá que deixem a sua opinião sobre este tema (a corroborar ou a contradizer o que escrevi).
Como disse inicialmente, sou frequentemente contactado por farmacêuticos portugueses. Em alguns casos acabo por acompanhar o todo o processo inicial adaptação, e quase sempre acabo por receber emails ou conversas no chat a dizer qualquer coisa do género "tu dizias que aqui se trabalhava muito, mas isto é de loucos"...
Como estamos a chegar ao fim do ano vou fazer previsões para o futuro da profissão:
- Os mais velhos vão cada reformar-se ou mudar de profissão mais jovens. Vejo uma dificuldade enorme de farmacêuticos mais velhos, que estavam habituados ao bem bom, em acompanhar o ritmo actual.
- Saturação do mercado de trabalho e consequente descida de salários. As maiores cadeias de farmácias (mais de 55% do total das farmácias pertencem as estas companhias) já não recrutam activamente farmacêuticos europeus e na maior parte dos casos em que são contactadas directamente recusam candidaturas.
- PCT's - Primary Care Trusts (equivalente às ARS - Administração regional de saúde) vão ser extintos sendo que toda a gestão dos serviços de saúde vai passar a ser feita pelos centros de saúde (Portanto médicos de família). Na minha opinião, nada de bom para as farmácias virá daqui.
- Diversificação dos papeis dos farmacêuticos. Acredito que muitos farmacêuticos irão deixar a farmácia comunitária para trabalhar em Hospital e em Centros de Saúde ao lado dos médicos (muito concretamente na gestão e racionalização do orçamento anteriormente na mãos dos PCT's)
Se não estivesse verdadeiramente estável e feliz com a minha situação específica (e a Ana também razoavelmente feliz) já estaria a considerar mais seriamente outras possibilidades. Assim, e por enquanto, vou ali tomar um cocktail de sertralina com fluoxetina e citalopram.
PS: Peço desculpa aos que me contactaram via email e que ainda não receberam resposta. Fá-lo-ei.
PS2: Continua a haver farmácias pouquíssimo movimentadas onde o farmacêutico continua a poder "respirar" minimamente.
PS3: Na área hospitalar continua a haver falta de farmacêuticos, mas não conheço a realidade.
PS4: Continuo a ver com enorme frequência propostas de emprego para as ilhas da coroa britânica (Falklands, Santa Helena, Bermudas, Ilhas Caimão) que apenas requerem três anos de experiência profissional. Cada vez que vejo um destes anúncios, vou sempre tratar de ver todos os pormenores da posição oferecida, e depois fico uma boa meia hora a "imaginar"... No dia em que estiver ainda mais fartinho, não digo nada.
PS2: Continua a haver farmácias pouquíssimo movimentadas onde o farmacêutico continua a poder "respirar" minimamente.
PS3: Na área hospitalar continua a haver falta de farmacêuticos, mas não conheço a realidade.
PS4: Continuo a ver com enorme frequência propostas de emprego para as ilhas da coroa britânica (Falklands, Santa Helena, Bermudas, Ilhas Caimão) que apenas requerem três anos de experiência profissional. Cada vez que vejo um destes anúncios, vou sempre tratar de ver todos os pormenores da posição oferecida, e depois fico uma boa meia hora a "imaginar"... No dia em que estiver ainda mais fartinho, não digo nada.
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