terça-feira, 23 de novembro de 2010

First paperless and now we're going peopleless

Cada vez mais é possível fazer uma vida normal sem ver ou falar com seres humanos.

Vejamos um dia "normal":
Vou ao supermercado ASDA, lá meto as minhas coisas no cesto e no final para pagar passo uma caixa com uma senhora sorridente e sigo para o "self-check out", onde eu próprio faço o scan dos produtos a comprar e no fim selecciono o modo de pagamento e pago. A máquina agradece-me com uma voz suave, o que torna a experiência um pouco mais humana.
Sigo para o Argos onde quero comprar um aspirador. Entro e vou directo a um catalogo onde tem uma lista de aspiradores. Escolho o que acho acertado e digito um código numa máquina que diz que tem 2 em stock. Fico contente e vou para um terminal de pagamento. Selecciono novamente o aspirador e finalizo o pagamento. Recebo um talão que me dá um número de referência que passa a aparecer num ecrã. Sento-me e espero. Uma voz de computador anuncia o meu numero e eu logo me levanto e me dirijo para o balcão onde está uma rapariga com a minha caixa. Ela não abre a boca e eu também não o faço. Ela sorri no fim e eu sorrio de volta, o que torna a experiência um pouco mais humana.
Chego a casa e depois de descansar um pouco pego na papelada que já deveria ter sido tratada na semana anterior. Pago a ground rent e compro o selo do carro (tax disc) por online banking. Pago também online as quotas da entidade reguladora dos farmacêuticos após ter clicado em dezenas de botões em que confirmei que não tenho qualquer problema e que estou apto a exercer a minha profissão. Recebo um email de resposta a confirmar o pagamento e a agradecer. Nesse e-mail encontra-se uma assinatura digitalizada, o que obviamente torna toda a experiência um pouco mais humana.
Vejo uma carta para renovar o seguro da casa (home insurance). Verifico que apesar da desvalorização do valor das casas, o total a pagar voltara a subir. Penso logo que isso não estaria certo e que deveria mudar de seguro da casa. Acedo a um site de comparações na internet (www.gocompare.com) e após seleccionar as características da propriedade recebo um quadro que me compara mais de 50 seguros de casa com os preços anuais e os vários níveis de cobertura. Selecciono um deles (menos de metade do preço de renovação da minha seguradora) e finalizo o pagamento online. Recebo um email a confirmar e a agradecer, com uma assinatura humana digitalizada, claro. Vou ao meu online banking e cancelo o direct debit para a minha seguradora anterior.
Depois disto, e como me cansa lidar com pessoas, estava exausto. Adormeço. Acordo no sofá e verifico que falta menos de uma hora para a minha Maria chegar do ginásio... as últimas palavras dela pairam no meu subconsciente "vê lá se tens a comida pronta para as 8h30"... Obviamente que como estava frio e continuava completamente estoirado, cozinhar estava à partida fora de questão.. Lá teria que ser takeaway.. mas o telefone parecia estar a kilometros de distância do meu cobertor e o portátil ainda mais longe! Pego no telemóvel (smartphone) e vou a www.just-eat.co.uk . Meto o meu código postal e aparecem-me os takeaways da zona. Decidi que queria comer pizza. Vejo as várias pizzas disponíveis e vejo as reviews de outros clientes e clico para escolher o tamanho maior possível de uma pizza com azeitonas com entrega grátis às 8h30. Em menos de um minuto recebo uma mensagem de confirmação do takeaway.
8h25 tocam à porta para entregar a pizza! Gostei tanto de ver um ser humano que lhe dei gorjeta.

Acabou de sair um canalizador aqui de casa para reparar um cano. Apesar de a minha Maria me ter vindo a lixar a cabeça para encontrar um canalizador nas páginas amarelas e no jornal local, ontem fui à net a um site chamado www.myhammer.co.uk onde coloquei o "anuncio" do meu problema com o cano. Recebi passado 20 min a primeira resposta online de um canalizador "£30 - working in darwen up until wednesday this week. give us a call 0797 x x x x xx  Cherrs John". Recebi depois outra resposta, mas por £30 e vendo as reviews de outros clientes fiquei-me pelo John.


Moral da história: Quem precisa de pessoas quando pode ter comutadores e Internet a tratar de tudo? É que todos estes serviços no UK parecem funcionar de forma absolutamente eficaz

PS1: O site www.just.eat.co.uk é genial. É o ideal para quem teme, ao ligar ao  takeaway, uma resposta do tipo "Hello Mr Carvalho, we know it was you, we all know your phone number here... so it's the fattening XXL menu as usual with the coke high in sugars and the chips enriched with cholesterol and sprinkled with plenty of salt as you just love it..."

PS2: O site www.myhammer.co.uk é igualmente genial! Colocar o anuncio e ver os electricistas/canalizadores/etc a oferecerem orgçamentos e ler as reviews de clientes anteriores é priceless! (não é um tiro no escuro como no caso de procurar um cowboy no jornal local)

PS3: Ainda não me fartei do Call of Duty... o jogo é genial







8 comentários:

  1. Thank I work with people! :D (e que não tenho jeito nenhum para essa cena do home banking, lol e que embora tenha um PDA não tenha jeito nenhum para o ligar à net e fazer as cenas por lá :p)

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  2. Pah Geninho...és um Génio adorei hahaha

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  3. Maria? Quem é essa? Andas a enganar-me com outra? Ainda por cima com mau feitio!! :p

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  4. @Irina: Bem visto, realmente podia perfeitamente ser mudo que tinha feito tudo na mesma

    Humm, um blog novo? Vou espreitar

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  5. Após ler o teu blog percebi que afinal a transição Portugal - Inglaterra não é assim tão fácil. Um dos meus grandes sonhos é viver em Londres, exercer a minha futura profissão ( 2º ano na FFUL) em Inglaterra mas após ler os teus posts fiquei assustado admito :/ só queria saber se achas que quando terminar o curso deva ficar alguns anos em Portugal e só depois ir para Inglaterra?

    Já agora, adorei o teu blog

    Cumprimentos,

    Gonçalo Seixas

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  6. @Gonçalo!

    Ainda tens muito tempo! Quando terminares tenta saber como está a empregabilidade tanto em Portugal como no UK ou outros países. Neste momento já está bastante difícil encontrar emprego em Londres como farmacêutico.
    Para vir ara cá, mais do que experiência prévia em Portugal, deves ter maturidade.

    Abraço

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  7. COD... tá lá! Tá muito lá.

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